terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Haarlem: bate-volta a partir de Amsterdam

A Holanda é um país super pequeno, às vezes o tempo que se leva para chegar em alguma cidade vizinha é menor do que o tempo que a gente leva de casa até o trabalho aqui em São Paulo (ou qualquer outra metrópole no Brasil). Por esse motivo, é muito comum as pessoas usarem Amsterdam de base e fazer vários bate-voltas a partir de lá.

Uma das cidades mais populares para se fazer esses bate-voltas saindo de Amsterdam, é a charmosa Haarlem. Uma cidadezinha de apenas 30 km² e 155.000 habitantes, que fica a 15 minutos de Amsterdam.






COMO CHEGAR
O jeito mais fácil de se chegar lá é indo de trem. Os trens partem de 10 em 10 minutos da estação central de Amsterdam (Amsterdam Centraal). O trajeto leva apenas 15 minutos e custa €4,10 (ou €8,20 ida e volta). Para mais informações, consultem o site da companhia NS.

O QUE FAZER
A impressão que eu tenho de Haarlem é que ela é uma mini Amsterdam, só que mais calma e sem os milhões de turistas por todos os lados. E isso pra mim é PERFEITO! Dá pra ver tudo em metade de um dia. Eu cheguei umas 9h30 e fui embora umas 14h de lá, para ter uma ideia. Todas as atrações turísticas ficam próximas da estação de trem e do centro, então dá para fazer tudo caminhando.
O primeiro lugar que eu fui ver logo que eu cheguei foi o super famoso moinho de Haarlem, o Molen De Adriaan. Ele fica bem na beira do rio Spaarne, o que torna a vista ainda mais bonita! É possível fazer um tour guiado de 45 minutos dentro dele. Confira antes no site os dias e horários em que o moinho está aberto a visitação.



De lá, segui para o Amsterdamse Poort. É uma parte do que sobrou do antigo portão da cidade que foi construído por volta do ano de 1400. Não dá pra entrar nele, mas vale dar uma passadinha lá só pra ver, ele fica perto do moinho.



Agora partindo para o centro da Haarlem, é obrigatório passar na Grote Markt, a praça central da cidade. Nessa área você encontra grande parte das atrações turísticas todas juntas. A principal é a Grote Kerk, uma catedral construída entre os séculos XIV e XV. Do lado da catedral você encontra o Vlesshal, um antigo meat market, contruído em 1603, que hoje abriga 2 museus. Do outro lado da praça, está a Stadhuis (prefeitura), cuja construção é datada do ano de 1602. Sem contar que em volta da Grote Markt, você encontra várias ruazinhas comerciais, com muitas lojas, bares, cafés e restaurantes legais. Dá pra bater perna em volta de toda essa área.


E pra fechar o dia, não dá pra ir pra Haarlem e não passar na Jopenkerk, a cervejaria mais famosa da cidade. A cervejaria da Jopen (cerveja local) fica em um local que antigamente era uma igreja. Ela é chamada de Jopenkerk por motivos óbvios. Pra quem não sabe, "kerk" significa igreja em holandês. A Jopenkerk é um café, um bar e um restaurante, tudo junto e misturado ao mesmo tempo. Não só a cerveja é ótima, a comida também! Dá pra ter uma visão 360º do local aqui.


Tirando os lugares turísticos básicos, também vale dar uma volta no canal Niewe Gracht ou no rio Spaarne. Ou até se perder nas ruas estreitas da cidade mais afastadas do centro. Cada vielinha de Haarlem tem um charme especial.

Haarlem é uma cidade pequena, mas é um pecado deixar ela de fora do seu roteiro se estiver passando por Amsterdam. Super vale a pena sair daquela loucura (no bom sentido) por algumas horinhas e conhecer essa cidade aconchegante, simpática e pacata. Vem!


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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Zaanse Schans: bate-volta a partir de Amsterdam

Quando você pensa em Holanda, qual a primeira coisa que vem à sua mente? Maconha? Canais de Amsterdam? Porcelana de Delft? Queijo Gouda? Os atrativos são infinitos e o país tem muitas cidades diferentes para visitar. A começar pelos tradicionais tamancos de madeira e os moinhos de vento, vamos para Zaanse Schans.

Março/2015


Zaanse Schans (Jaanxeshrrans em brasileiro) reúne toda aquela imagem clássica da Holanda. Segundo Daniel Duclos, do incrível Ducs Amsterdam, rolam até umas vaquinhas para completar o ambiente, coisa que eu não vi. Talvez por ter ido no inverno gelado com vento sofrido.

COMO CHEGAR? 
Zaanse Schans é uma pequena vila da cidade de Zaandam, que fica a 45 minutos de ônibus de Amsterdam. O ônibus é a pedida mais rápida de transporte e te deixa literalmente na entrada da vila. Ele sai de trás da Estação Central de Amsterdam (Amsterdam Centraal). Para chegar na parte de trás da Estação, passe pela catraca do lado direito (que é aberta) e atravesse por dentro da Centraal. Achei que estava fazendo brasilidade (passando a catraca sem pagar a passagem de trem), mas realmente é o único jeito de chegar ao terminal de ônibus. Chegando lá, procure pelo ônibus 391 da empresa Connexion (ônibus vermelho). Não esqueça que você deve pegar o mesmo ônibus no ponto final de Zaanse Schans, para voltar pra Amsterdam. Ah, o day ticket (ida e volta) custa 10 euros.

Logo na entrada da vila, você dá de cara com um museu moderninho. Não parei nele e segui para o que realmente me interessava: moinhos! Alguns deles giram, outros não e muito poucos estão abertos para visitação. Mas não é nada concorrido para subir e paguei baratinho (algo em torno de 3 euros).

Esses moinhos funcionam quase como museu. O que eu entrei, por exemplo, tinha uma grande roda moendo pedra para virar pó de pigmento de tinta. Na entrada você pode pedir um chocolate quente com conhaque, que claro, foi o que eu fiz naquele inverno.

Foto: Elton Dias (setembro/2015)


Para subir no moinho, as escadinhas são estreitas e quase verticais. Nesse caso, pra cima (subir de frente) todo santo ajuda. Pra baixo (descer de costas) a coisa toda muda! Mas tranquilo para quem não tem problema de mobilidade. São muitos moinhos para admirar e você pode percorrer o caminho deles a pé ou de bike (não sei se tem serviço de aluguel, eu não vi).

A cada loja que existe na região, tem um museuzinho minúsculo nos fundos. Se você vai a uma padaria que existe lá, pode continuar andando que você encontra peças e ambientação do que seria aquele lugar no século passado ou retrasado. A fábrica de queijo é a mesma coisa. Muito fofo. :)



Foto: Elton Dias (setembro/2015)


Uma das lojas/museus mais incríveis é o de tamancos de madeira, a Kooijman Wooden Shoe. O museu possui uma vasta coleção desse tipo de calçado, desde os mais históricos até os mais excêntricos (e até mesmo um confeccionado no sul do Brasil). A loja tem infinitos modelos e tamanhos que fazem você se questionar pelo menos umas 10 vezes: EU QUEROOOO, mas será que eu vou usar isso alguma vez na minha vida? Eu não trouxe porque na minha mochila não cabia mais nada (e acho que meus vizinhos do andar de baixo agradecem por isso).

Por fim, essa loja tem uma demonstração de aproximadamente 20 em 20 minutos de como é confeccionado um legítimo tamanco holandês. É mágico ver o tamanqueiro (?) trabalhando e em alguns minutos surgir um sapato de madeira novo! Todo mundo aplaude. :)

Os tamancos gigantes do lado de fora é parada obrigatória!



RESUMÃO:
  • Passeio para se fazer de dia/tarde, para admirar a paisagem e tirar milhões de fotos.
  • Metade de um dia é suficiente para ver tudo (tudo mesmo).
  • No final do inverno faz frio e venta absurdamente. Vá preparado!
  • Pegue o ônibus 391 da Connexion na ida e na volta. Ele não demora para passar (e existe a tábua de horários no ponto para dar uma conferida).
  • Não se preocupe com mapas: a vila é compacta e você não vai se perder e nem perder nenhuma atração, a não ser que você queira. 

Bom passeio e divirta-se!


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    terça-feira, 6 de outubro de 2015

    Como chegar a Machu Picchu

    Pra começar, chegar até Machu Picchu não é tão simples. Você pega avião, ônibus, trem, mais um ônibus... Isso requer um mínimo de planejamento antes de sair do seu país. É chatinho? É sim. Mas garanto que apesar de ser uma boa jornada chegar até lá, vale muito a pena fazer essa viagem!

    A melhor maneira de se chegar a Machu Picchu é começar indo para Cusco (o voo faz conexão em Lima). De Cusco você precisa seguir para Águas Calientes (uma cidadezinha aos pés de Machu Picchu) pela trilha ou de trem, e de lá subir de ônibus (ou a pé) para finalmente chegar a Machu Picchu. Ufa! Muitos detalhes e muitas etapas, não?



    Mas vou explicar melhor cada trajeto passo a passo:

    De Cusco para Águas Calientes
    Existem 2 maneiras mais comuns de se chegar em Águas Calientes: ou indo pela Trilha Inca (andando) ou indo de trem.

    A Trilha Inca só é possível ser feita com alguma agência, você não pode ir por conta própria. Existem opções de 3, 4 ou 5 dias de caminhada, e também a opção de mesclar caminhadas e bicicleta (Trilha Inca Jungle). Vale falar que a trilha não é para qualquer um, é uma caminhada puxada, carregando peso e acampando sem muito conforto. Mas a vista e a aventura com certeza fazem valer a pena os prováveis perrengues do percurso.

    Já indo de trem, existem 2 opções: ou você vai direto de Cusco (da estação Poroy) ou partindo de Ollantaytambo (a uns 60 km de Cusco). A melhor opção (e a mais popular) é ir de Ollantaytambo e aproveitar para conhecer as ruínas do Vale Sagrado que ficam no caminho entre Cusco e Ollantaytambo. Foi o que fizemos. Como? Fácil, foi assim...

    Visitando o Vale Sagrado
    Saímos de Cusco de manhã (lá pelas 8h30) com um tour guiado em grupo que passaria em 3 lugares do Vale Sagrado: Pisac, Urubamba e Ollantaytambo.

    Pisac, Pisac, Urubamba e Ollantaytambo
    • Pisac é um dos sítios arqueológicos mais importantes da região, onde você encontra construções incas: terraços agrícolas, um sistema de irrigação, um observatório e a Intiwatana (pedra usada com um calendário solar).
    • Urubamba é uma província localizada ao longo do rio Vilcanota. Aqui demos apenas uma breve passada.
    • Ollantaytambo é um exemplo típico do incrível planejamento urbano dos Incas. Nesse sítio arqueológico você também encontra terraços agrícolas e um setor urbano. Quando os incas estavam no poder, era um centro administrativo.
        Depois de visitar esses 3 lugares, o grupo do tour guiado vai embora e a gente fica para pegar o trem para Águas Calientes da estação Ollantaytambo, que é ao lado do sítio arqueológico. Muita gente faz isso, então o guia já pergunta logo no começo quem é que vai largar o grupo em Ollantaytambo, pra saber quantos vão ficar por lá. É uma prática bem comum. Lá pelas 5 da tarde a gente já tinha visitado a ruína e ficamos passeando pela cidadezinha esperando a hora de pegar o trem.

        Trem para Águas Calientes
        O trem de Ollantaytambo sai à noite depois do tour, o trajeto é de pouco mais que 2 horas. Fomos com o trem mais barato, o que chamam carinhosamente de trem mochileiro. Existe a opção de ir com o Hiram Bingham também, um trem de luxo super chique (e bem mais caro, claro) que é famoso pelas janelas panorâmicas. Mas acho inútil pra quem pega o trecho a noite, que não se enxerga nada. Chegamos em Águas Calientes pouco antes das 23h, ficamos em um hostel bem localizado chamado Supertramp, que fica no centrinho, perto da estação de trem e da saída de ônibus para Machu Picchu.

        De Águas Calientes para Machu Picchu
        No dia seguinte, acordamos cedíssimo (lá pelas 5 da manhã) e saímos ainda na penumbra para pegar o ônibus para Machu Picchu. Pegamos uma pequena fila para comprar a passagem do ônibus e mais outra fila para embarcar. Então se puder, não faça como eu e compre com antecedência para evitar uma das filas. A passagem de ida e volta custa 24 dólares para estrangeiros. Você também pode subir (e descer) a pé. Mas não espere nenhum terreno asfaltado nem uma trilha bonitinha, é na estrada de terra no meio do mato mesmo. Eu escolhi ir e voltar de ônibus, meus amigos mais aventureiros subiram de ônibus e voltaram a pé. E sim, adoraram!

        Finalmente Machu Picchu!


        Machu Picchu abre às 6h da manhã, mas o recomendado é chegar lá pelas 5h30 no máximo. Quanto mais tarde você chega, mais cheio fica o lugar. Entrar antes de todo mundo te dá a chance de ver o lugar vazio, sem empurrões e sem um monte de gente disputando um espaço para tirar uma foto. E se você vai subir a Huayna Picchu ou a Montaña, tem que chegar cedo! Nós subimos a Huayna no primeiro grupo (7h da manhã). Por isso é recomendado pernoitar lá no dia anterior e chegar no primeiro horário. Mais para o meio do dia, começam a chegar vários trens de Cusco e o lugar começa a ficar lotado! Machu Picchu fica aberta até às 17h, mas até lá você já conseguiu ver tudo e mais um pouco. Fomos embora lá pelas 15h. O nosso trem de volta para Cusco saiu lá pelas 17h nesse mesmo dia.

        Voltando para Cusco
        Pegue o trem de volta para Ollantaytambo (ou Poroy). Chegando na estação, você encontrará vans e táxis que te levam para o centro de Cusco, ou você pode deixar já agendado com alguma agência para te buscarem. E mesmo indo de táxi, não é tão caro. Nós já deixamos agendado, e quando chegamos na estação de Ollantaytambo uma pessoa veio nos procurar com aquelas plaquinhas com nomes. Fomos de van em alta velocidade e altas aventuras, mas chegamos vivos! Estávamos em Cusco novamente lá pelas 20h30.

        Como planejar tudo isso?
        É indicado comprar tudo com antecedência. De preferência já sair daqui com tudo reservado. As passagens mais baratas de trem se esgotam muito rápido, depois vão aumentando os preços e os melhores horários esgotam. E dependendo da época, você pode ficar sem ingresso para entrar em Machu Picchu (limitado a 2500 pessoas por dia). Além disso, não é possível comprar ingressos na bilheteria, somente pela internet ou incluso nos pacotes de agências. Se pretende subir a Huayna Picchu, você deve contar com a sorte para conseguir tickets de entrada se deixar para comprar durante a viagem, mesmo através de agências. O limite de visitantes diário é só de 400 pessoas divididas em 2 horários. Digo isso porque nenhuma das pessoas que conhecemos no hostel em Cusco conseguiu a entrada para Huayna. Éramos os únicos com ingresso por lá (compramos com 3 meses de antecedência). Mas se você tem um perfil mais relaxado de viajar, gosta de ir escolhendo o que fazer na hora e tem tempo sobrando, também é bem possível fechar tudo lá sim (contando com flexibilidade de datas). Em cada canto de Cusco existe uma mini agência de viagens, você pode aproveitar essa facilidade.

        Comprando por conta própria
        A logística toda é bem complicadinha, mas é bem possível fazer tudo por conta. O que você precisa fazer é:
        • Comprar um tour para o Vale Sagrado (opcional).
        • Comprar a passagem de trem (no nosso caso: Ollantaytambo - Águas Calientes - Ollantaytambo) no site da Peru Rail ou fechar a Trilha Inca com alguma agência.
        • Reservar Hostel/Hotel para 1 dia em Águas Calientes (se for pernoitar lá)
        • Comprar o ingresso para Machu Picchu no site oficial do governo.
        Você pode sim resolver tudo lá, comprar em agências locais na hora, mas só faça isso se você tem tempo de sobra na viagem e não faz questão de subir a Huayna Picchu. Como eu fui com dias contados (8 dias pelo país) e a Huayna Picchu era obrigatória no roteiro, tive que fazer uma viagem mais planejada.

        Comprando um pacote em agência
        Se você não tem saco para toda essa logística, ou simplesmente está inseguro de fazer algo errado no processo (como eu estava), vale comprar daqui um pacote com uma agência local do Perú. Comprar por agências brasileiras é simplesmente um absurdo de caro, não recomendo. O que eu fiz foi fechar com a agência Rasgos del Perú. Eu gosto de fazer as coisas por conta própria e sou bem desconfiada com agências que eu não conheço, mas eu fechei com eles porque foi indicação do hostel e de uma amiga que já havia comprado um pacote com eles e disse que foi tudo ótimo. Então confiei e não me arrependi. O pacote que fechei com eles incluia: o transporte do nosso hostel até Ollantaytambo com o tour guiado no Vale Sagrado (entradas inclusas), o trem de Ollantaytambo para Águas Calientes (ida e volta), 1 noite no Supertramp em Águas Calientes, tour de 1h com guia em Machu Picchu e transporte de volta de Ollantaytambo para Cusco. Tudo por 297 dólares (isso em 2014). O bizarro é que se eu tivesse feito tudo isso por conta, sairia quase a mesma coisa. Pensei: ué, qual é a mágica? Depois lá no Peru já, quando vi o ticket do trem, percebi que as agências pagam bem mais barato do que eu pagaria. O preço marcado era umas 8 vezes menor do que eu pagaria comprando pelo site da Peru Rail. Ou seja, o custo deles é menor do que o que você teria fazendo por conta, por isso sai quase a mesma coisa. Sobre o pagamento, eu fiz 50% via Western Union e paguei os outros 50% lá em Cusco no escritório deles. Aí no dia seguinte eles levaram todos os ingressos e vouchers pra gente no hostel.

        Quando é a melhor época para ir?
        A melhor época é de maio a setembro, no periodo de seca. Se tiver escolha, evite ir entre outubro e abril, são períodos de chuva que podem estragar sua visita tão programada (Machu Picchu pode ser fechada por questões de segurança). Vale tentar ir em junho, no dia 24 acontece a tradicional festa de Inti Raymi (festa do sol) em Cusco.


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        segunda-feira, 21 de setembro de 2015

        Relato de viagem: Torres del Paine (Chile)

        O post de hoje é uma colaboração do nosso amigo James Vaccari, que fez uma viagem incrível para Torres del Paine, no Chile. Esperamos que gostem deste relato!

        Sabe aquela viagem que dá tudo errado, mas que no fim dá certo? Para mim, são as melhores. É quando a gente volta com as melhores histórias para contar. É fácil achar relatos aventurescos, heroicos, descritivos, turísticos ou técnicos sobre as famosas trilhas do Parque Nacional de Torres del Paine, na Patagônia Chilena. Li vários, anotei tudo, fiz uma pesquisa razoável. Mas por mais que você faça isso (e acredito que deve fazer), algumas coisas sempre serão inusitadas.

        Entrada do Parque: primeiro trecho de caminhada






        Saí de São Paulo em meados de abril, outono, as folhas já caindo das árvores… Cheguei a noite e já comecei caindo no conto do táxi barato. Paguei o triplo do preço de uma corrida normal até a cidade. Só descobri isso na volta, 10 dias depois. Não tem shuttle (serviço de traslado) à noite. Nem ônibus. Fui direto ao hostel que tinha reservado. O Hostel 53 Sur. Atendimento prestativo, simpático, tudo bem simples e tranquilo.

        No dia seguinte, pela manhã, fui caminhando pela cidade, sob uma leve garoa, até os terminais de ônibus. São 3 na cidade, cada companhia de ônibus com o seu. E peguei um ônibus às 10 horas até Puerto Natales, cidade litorânea do Chile a 3 horas de viagem de Punta Arenas, mais próxima do parque. Minha ideia era adquirir alguns suprimentos em Puerto Natales e já pegar um ônibus para o parque na rodoviária. Ideia risível do ponto de vista da atendente do guichê de passagens, que com toda a simpatia e/ou sarcasmo, me explicou que fora de temporada só há um único horário de ônibus, as 7:30h. Arrastei minha cara de decepção até o balcão de informações e indaguei sobre a localização de hostels nas proximidades. Encontrei o Hostel La Estancia Patagônica bem perto da rodoviária, para facilitar a volta no dia seguinte. Tendo a tarde toda livre para desfrutar do que quer que o universo me apresentasse naquele lugar, fui providenciar algumas coisas.

        Puerto Natales




        Comprei gás para o fogareiro, comida, troquei dinheiro na casa de câmbio, fiz umas fotos na orla, tomei um café na cafeteria/padaria/restaurante/bistrô Angélica's, travei uma excelente discussão sobre política internacional com a proprietária, e jantei o segundo melhor bife de chourizo da viagem, com direito a um bem servido ceviche de entrada. Voltei para o hostel totalmente preparado e bem nutrido para os 9 dias de caminhada intensa que o chamado circuito “O” iria apresentar-me. Iria…

        De volta ao hostel o dono me alertou que talvez o circuito “O” estivesse fechado naquela época do ano. Tentei contactar o parque, mas não consegui. Já era noite. No dia seguinte, peguei o ônibus e cheguei as 10h na entrada do parque, recebendo a notícia de que realmente o circuito “O” estaria fechado. Eu não poderia fazer a volta toda no parque. Teria que optar pelo circuito “W”, menor, entrando por uma portaria e saindo por outra. Eu já tinha perdido 1 dia em Puerto Natales mesmo, os planos já estavam comprometidos, então decidi fazer o circuito “W” mesmo, em 6 dias, em vez dos 4 ou 5 habituais. (veja aqui o mapa oficial do Parque Torres del Paine).



        Comecei a caminhar às 10h30, saindo da Portaria de Laguna Amarga, entrada do parque. Poderia ter pago uma van para ir até o Hotel Torres, economizando 1h30 de caminhada (7,5 km) numa estrada de terra, mas estava sem pressa e finalmente estava no parque! Depois da primeira ou segunda curva na estradinha, já se vê as torres, e para todo lado que se olha, há o que fotografar. Lhamas pastando, pássaros, coelhos, árvores, riachos, uma paisagem que fez este pequeno trajeto até o início da trilha valer cada minuto de atraso. E foi um belo atraso.

        Hotel Torres



        Cheguei por volta das 13h na Hotel Torres. Um hotel pomposamente surreal no meio de um lugar tão inóspito, mas que possibilita aos bípedes com mais necessidade de conforto um gostinho do que é a Patagônia. Tem até uma lojinha para quem esqueceu alguma coisa, vendendo desde gás, saco de dormir, até protetor solar, ou bolachas.

        Ali começa a trilha.




        Foram 3 horas de subida até o Refúgio Chileno. Quase 1000 metros de desnível, nos quais o rapaz que vos narra carregou nas costas 3 dias a mais de comida que já não seriam necessários, e que só percebeu quando parou lá em cima para um breve lanche. O lanche acabou virando um banquete, um desespero vexatório de consumir toda aquela comida o mais rápido possível para aliviar o peso extra, pois não se pode jogar comida fora, e todo lixo deve ser levado consigo. O povo que me espiava do lado de dentro do restaurante aquecido do Refúgio Chileno, tomando seus chocolates quentes, deve ter ficado com a visão estarrecedora de um pobre esfomeado atacando ferozmente uma profusão de maçãs, lanches e frutas secas como se fosse a primeira refeição de um urso após os meses de hibernação. É possível subir até o Refúgio Chileno a cavalo também, desde o Hotel Torres.

        Após me recompor desse momento de estupidez e com a mochila uns 2 kg mais leve, continuei a caminhada até o acampamento Las Torres por mais 2 horas de subida, na companhia de uma garoa fria e inconveniente.

        Cheguei, montei o acampamento, tirei um leve cochilo para esperar a “cozinha” dar uma esvaziada e fui fazer o jantar. No parque, as áreas de cozinhar são limitadas e em geral consistem em um telhado e alguma proteção contra o vento. Cozinhar em qualquer outra área é crime ambiental, valendo multa, trabalho comunitário, prisão...

        Não havia muitas pessoas no parque nessa época, mas as “cozinhas” são espaços pequenos, escuros, com paus e pedras no lugar de mesas e cadeiras, e pode ficar bem tumultuado. A galera geralmente acorda bem cedo, e sobe ainda no escuro até o Mirador las Torres, para pegar o nascer do Sol. Preferi acordar mais tarde, estava bem cansado e a noite esfriou muito e tudo amanheceu congelado. Tomei um café reforçado e comecei a subir quando o povo começou a descer.

        As Torres



        Passei o resto da manhã sozinho lá em cima. As Torres e eu, num silêncio absoluto. Perdi o nascer do Sol, mas ganhei uma paz que não tem preço. Era o que eu buscava nessa viagem. Deixei-me atrasar por lá, fazendo umas fotos, fatiando um salame e pisando na neve que em alguns pontos já se acumulava. Voltei para o acampamento, tomei outro café, um lanche, desmontei tudo e parti para a próxima parada.

        A trilha é basicamente um retorno pirambeira abaixo até o Refúgio Chileno, e um desvio próximo ao Hotel Torres, em direção ao Refúgio Los Cuernos, a 16 km. Grande parte da trilha tem uma bela vista do lago Nordenskjold, avistam-se muitas aves e eventualmente um coelho ou outro, pois os calafates e murtillas estão dando frutos nessa época.

        Cheguei em Los Cuernos às 19h. Paguei 7.500 pesos chilenos no camping (lá tem banheiros limpos e chuveiros que praticamente soltam água quente, ou uma leve lembrança de calor. E também tem um restaurante), montei a barraca, fiz o jantar, e fui dormir. Pela segunda noite, dormi mal. Dessa vez não foi a geada, mas um rato possuído pelo inebriante cheiro de salame que estava dentro da panela, que estava fechada, dentro de uma sacola, que estava dentro de um saco plástico, que estava dentro da mochila, dentro da barraca. O danadinho me infernizou por horas! Fiz barulho, saí da barraca, joguei o lixo fora, e ele continuava arranhando e correndo em volta da barraca. Fiquei na espreita, dei um susto nele com a lanterna, lhe disse uns impropérios, tentei dormir… Ele furou a barraca, riu da minha cara e deixou claro que não ia desistir. Aceitei o desafio e bolei um contra ataque: tapei o furo com silver tape, fiz uma armadilha com fitas no piso da entrada, e fiquei na espreita com a lanterna. Ele passou por cima das fitas, passou ileso pela armadilha, e foi roer o furo novamente. Desisti. Guardei tudo na mochila e sai da barraca. Fui tentar guardar a mochila dentro do refúgio, ou dormir lá dentro, mas já estava tudo fechado. Acabei desmontando a barraca na madrugada e montando 100 metros mais acima, tentei dormir. Novamente barulho de rato rodeando a barraca. Pensei em largar tudo e ir dormir no banheiro, mas acabei botando o fone de ouvido e cobrindo a cabeça. Precisei encarar o banho vagamente quente para acordar e tomar café. Só às 10h30 consegui desmontar tudo e começar a andar.

        O terceiro dia foi mais curto. Meio-dia eu já chegava ao Acampamento Italiano e depois da batalha épica com o rato, decidi passar a tarde deitado à beira do rio ouvindo o barulho da água. Era possível ouvir algumas avalanches à noite, vindo das Torres ou dos Cuernos, tal era o silêncio. Consegui dormir um pouco melhor, pendurei a comida numa árvore, mas acordei bem cedo para não perder o nascer do sol dessa vez. Saí primeiro que todo mundo, atravessei o Vale Francês e cheguei no mirador Britânico às 10h. O nascer do sol combinado com as cores da vegetação no outono, me propiciaram a paisagem mais incrível de toda a viagem.

        O nascer do sol no mirador Britânico




        O mirador dá uma bela vista do Vale Francês, entre o Cerro Castilho, o Cerro Paine Grande e Los Cuernos del Paine. De volta ao Acampamento Italiano, fiz um café/almoço, desmontei tudo, e caminhei 3 horas até o Acampamento Paine Grande. Esse trecho foi um pouco triste de ver porque a vegetação seca ainda apresenta muitos sinais do último incêndio que aconteceu no parque em 2011.



        Às 17h avistei o Hotel Paine Grande, a lojinha de guloseimas, o lago, e um casal tomando vinho na janela embaçada pelo aquecimento interno. Paguei o camping ao lado e fui preparar o jantar. A cozinha desse camping é mais aprazível. Tem mesas, cadeiras e até uma pia. Um coelho chafurdava pelo gramado e fiquei pensando se ele não teria más intenções como o rato. O coelho não apareceu, mas mandou uma chuva torrencial que durou a noite toda e provocou algumas goteiras impertinentes na barraca. Uma delas insistia em gotejar na minha cara tornando impossível meus esforços em sonhar com campos verdejantes e ensolarados. Mudei de lado, tentei fazer um telhado com um saco de lixo, e passei outra noite mal dormida.

        A cozinha estava cheia pela manhã, mas consegui um canto pra fazer um chá, um café, comer um pão com Amendocrem e esperar a chuva parar. Às 10h30 tinha conseguido secar as coisas na medida do possível e partir para o Acampamento Grey. Peguei uma neblina incrível sobre a Laguna Los Patos e perdi umas boas duas horas tirando fotos ali. Acabei chegando só às 16h no acampamento Grey.

        Neblina na Laguna Los Patos




        Ali também tem um hotel que os turistas podem chegar de barco, pelo lago Grey, tem uma lojinha onde me permiti comprar uma Coca-Cola, e a área de camping que fica num bosque um pouco à frente. Montei a barraca e fui até o mirante ver o Glaciar Grey.

        É uma vista incrível, e mesmo com o céu nublado e o tempo virando, é difícil desviar os olhos e sair de lá. Encontrei uns estudantes americanos que estavam cabulando as aulas de intercâmbio e consegui que um rapaz (de bermuda e chinelo!) tirasse uma foto minha.

        A cozinha do acampamento Grey é bem abrigada e também tem mesas e cadeiras. Estava bem movimentada à noite. Acabei esquecendo a lanterna na barraca e retornei tropeçando pelo bosque até encontrar a barraca. Voltei do Grey para o Paine Grande ao meio-dia da manhã seguinte. O tempo estava ótimo. Pensei em ficar mais um dia ali, antes de me dirigir para a portaria e sair do parque. Não tinha mais dinheiro para ir embora de barco até a portaria, então montei acampamento e decidi que levantaria cedo no dia seguinte a tempo de caminhar e pegar o ônibus.

        O pôr do sol foi incrível, mas posso dizer que essa noite foi a pior de todas (ou a melhor, dependendo do ponto de vista).




        Até o jantar, e um merecido banho quase quente, me retirei para meus aposentos. E já tive um duelo hercúleo com o zíper externo da barraca. O zíper ganhou. Deixei aberto. Um vento frio entrava, mas não parecia que iria piorar. Piorou. Por volta das 23h começou a chover e a ventar mais forte.

        Barraca instalada no acampamento Grey



        Saí para ver se a barraca estava bem presa, e voltei molhado. Me enfiei no saco de dormir, a porta da barraca chacoalhava igual língua de cachorro pra fora da janela do carro. O vento dobrava o teto da barraca até quase alcançar meu rosto. Por um tempo fiquei sentado escorando a lateral. Começou a gotejar. A barraca estava dando claros sinais de que iria desistir daquele sofrimento todo e ir fazer outra coisa da sua vidinha de barraca. Em algum momento caí de sono e acordei com uma neve caindo no rosto. Já amanhecia, resolvi me refugiar na cozinha. Peguei a mochila e percebi um furo na lateral. Para completar a noite, o rato, ou o coelho, tinha encontrado algo ali.

        Não estava com humor nem clima para andar até a portaria da sede do parque. Acabei comprando um chocolate no hotel, paguei com cartão e muito gentilmente eles me deram algum troco em dinheiro para que eu voltasse de barco. Também foram muito gentis deixando que o pessoal que habitava 3 barracas que explodiram à noite devido ao vento forte, dormissem no corredor do hotel.

        Puerto Natales


        De volta a Puerto Natales, voltei ao Angélica's, e pedi o maior bife que eles tivessem. Me parabenizei pelo sucesso da missão e apesar de todos os perrengues, e talvez justamente por causa deles, eu estava muito, mas MUITO feliz!

        Feliz!




        A Patagônia em geral é incrível. Uma das regiões mais bonitas do planeta. Os parques do Chile são bem conservados, bem valorizados, e o povo realmente se preocupa com o meio ambiente. Poucos lugares no mundo fui tão bem recebido quanto na província de Magallanes. Valeu cada perrengue.


        James Vaccari é diretor de arte e designer enquanto não viaja. Quando está viajando se mete a fotografar o que vê e a desenhar uma coisa ou outra. Prefere viajar pra onde as pessoas normais se preocupariam com banho e banheiro, e gosta de andar muito. Também é instrutor de montanhismo e escalada.


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        sexta-feira, 28 de agosto de 2015

        Roteiro: o que fazer em Brisbane (Austrália)

        A Austrália foi a primeira grande viagem que nós fizemos juntas fora da América do Sul.
        É um país com dimensões continentais e meio ambiente diversificado, indo de praias paradisíacas ao extenso deserto, cidades grandes e também lugares de neve (no inverno). Então para ver tudo em um curto espaço de tempo (e de $tempo$) é um pouco complicado. Nosso roteiro envolveu um pedaço da costa leste do país, passando por 3 cidades principais: Sydney, Gold Coast e Brisbane.

        Brisbane é a capital do estado de Queensland, no nordeste do país. É uma cidade não litorânea e pequena, mas com ares de cidade grande (a 3ª maior cidade da Austrália). Lá tem de tudo e também tudo acontece. Se um grande show internacional vai a Sydney, por exemplo, com certeza também passará ou passou por Brisbane. Muitas casas de shows, lojas de departamento e de grifes, baladas, bares... nada a dever a nenhuma cidade grande de fato.

        Créditos: Lachlan Fearnley (Wikipedia)



        COMO CHEGAR?
        Como fomos de Gold Coast para lá, o jeito mais fácil era pegar o trem Brisbane Airtrain. Em torno de 1 hora você chega a Brisbane. Mas a cidade também conta com um grande aeroporto internacional, o que facilita bastante se este for seu primeiro destino ou se você estiver vindo de Sydney, por exemplo.


        ROTEIRO

        Story Bridge
        A icônica ponte Story atravessa o Rio Brisbane e é uma boa pedida para ser visitada durante a noite, por ser bonita e bastante iluminada. Mas para os aventureiros de plantão, é possível escalar e fazer rapel nela (30 metros de altura), até mesmo antes do nascer do sol. Em cima da ponte você terá uma vista incrível, com as Glasshouse Mountains e a Gold Coast Hinterland no horizonte.

        Canoagem no Rio Brisbane
        O Rio Brisbane tem intensa vida social e esportiva e você pode participar disso, às margens dele ou nele mesmo através das canoas disponíveis para aluguel.
        DICA! Às noites de sexta-feiras e sábados, os caiaques são iluminados e fazem parte da beleza e luzes do rio.

        CityCat
        A cultura de transporte sobre os rios é muito forte na Austrália. Aproveite o CityCat e faça um tour pela cidade, navegando pelo Rio Brisbane.

        Kangaroo Point Cliffs
        Paredão de 20 metros para escalada, às margens do Rio Brisbane.

        South Bank e South Bank Parkland
        Austrália é marcante por suas praias maravilhosas, mas infelizmente Brisbane não foi abençoada com uma. Mas não é problema algum, visto que às margens do Rio Brisbane foi construída uma praia artificial. É uma ótima ir lá para se refrescar no verão, pois o calor é intenso! Os arredores são ricos em atrações: desde uma roda gigante (Wheel of Brisbane) até lojas, museus (QAG e GoMA) e restaurantes.
        Créditos: Brisbane City Council



        Jardim Botânico Mount Coot-tha
        Um Jardim Botânico que fica no topo do monte Coot-Tha e possui um mirante com vista espetacular para a cidade.

        Santuário Lone Pine Koala
        O maior santuário de coalas do mundo. É possível abraçar e tirar fotos com um deles, além de observar todos os animais típicos de Austrália: cangurus, raposa-voadora (o maior morcego do mundo), cobras, crocodilos etc.

        Chinatown

        Toda cidade grande que se preze tem sua Chinatown. Brisbane é pequena, mas como dissemos tem ares de metrópole. O lugar fica em Fortitude Valley e possui grande variedade de lojas e restaurantes com temática oriental.
        DICA! Experimente o super recomendado Yum Cha, café da manhã chinês com muita fartura.

        Saint John's Cathedral


        Diocese anglicana de Brisbane, um ponto turístico devido à sua história e rica arquitetura.

        Walking Tours
        Walking Tour de cervejas artesanais, Walking Tour de chocolates locais, Walking Tour de sobremesas, de comida asiática, de chá... são tantos Walking Tours envolvendo comidas e bebidas que você pode escolher o mais legal para se fazer.


        COMPRAS
        Queen Street Mall
        The Queen Street Mall é assim chamado mas não é um shopping, e sim um calçadão com inúmeras lojas e muitos estilos. Destaque para os shoppings Myer Centre Mall; Wintergarden; QueensPlaza e Brisbane Arcade.
        Créditos: Brisbane City Council



        The Collective Market
        Mercado a céu aberto de artesanatos, roupas, acessórios entre outros. Jovens designers vendem seus produtos descolados a preços interessantes.

        James Street Precinct
        Mais uma rua de compras e agitação, em Fortitude Valley.

        The Outpost
        Lojinha super bacana para os descolados.

        VooDoo Lulu
        A vida não nos fez góticas, mas esta loja bem poderia nos converter. É a loja mais sombria que já fomos, com roupas e acessórios maravilhosos e que você definitivamente não encontrará no Brasil.

        Tem mais alguma dica legal sobre Brisbane? Escreva pra gente!
        Informações sobre visto, trajetos de voos disponíveis, moeda, horário entre outras dicas sobre a Austrália, falaremos em um post mais adiante.

        quarta-feira, 5 de agosto de 2015

        Machu Picchu: subindo a Huayna Picchu (Waynapicchu)

        Você pode nunca ter ouvido falar em Huayna Picchu (jovem montanha, em quechua), mas ela é bem famosa! É aquela montanha maior à direita que aparece nas fotos clássicas de Machu Picchu. Ela está em todos os cartões postais, posts, revistas, sites e jornais por aí. E ela pode ser escalada, mas somente por alguns poucos sortudos por dia. Dá pra perder essa? Não, né?



        Machu Picchu abre às 6h da manhã, chegamos lá umas 5h30 e já estava uma fila bem grandinha. Quanto mais cedo chegar, melhor. Você consegue ver o local ainda vazio, sem muitas pessoas disputando o melhor espaço para tirar uma foto. Entramos, andamos uns 2 minutos, e já vimos aquela vista linda de cartão postal logo de cara! Vimos tudo bem por cima e já fomos direto para a entrada da Huayna Picchu, pois compramos ingresso para subir logo no primeiro grupo, às 7h da manhã.

        SUBINDO A HUAYNA PICCHU
        Primeiro de tudo, se você quiser subir a Huayna Pìcchu, é necessário comprar o ingresso “Machu Picchu + Huayna Picchu” no site oficial do governo com antecedência (eu comprei 3 meses antes). Não é possível comprar lá na hora, somente 400 pessoas por dia sobem a montanha e esse ingresso esgota super rápido. Vale dizer que escalar a Huayna não é para qualquer um. Se você tem medo de altura ou dificuldades de locomoção, não passará nem da metade (de verdade). A subida é de aproximadamente 290 metros, e em geral, se leva 1h30 para subir e 1h30 para descer, dependendo do seu ritmo.

        Na entrada, todos precisam deixar o nome e o horário de entrada anotado em um caderno, e na saída você anota o horário que deixou o local. É um controle para saberem se todos saíram no fim do dia.

        A entrada da Huayna Picchu





        O começo da trilha é bem tranquilo, dá para caminhar sem esforço. Você até pensa que tudo o que leu antes era um exagero. Mas logo começam a aparecer escadas e mais escadas. Tinha degrau alto, baixo, largo, estreito, liso, irregular. Eram degraus de todos os tipos, mas em alguns pontos tem um corrimão de corda na lateral para se apoiar. Pra ajudar, a altitude é cruel, eu ficava sem fôlego a cada 15 minutos e dava uma paradinha na escada mesmo, mas tem gente que nem sente e vai até o fim sem descansar. Até resolvi ilustrar esse momento com uma foto (aí embaixo).

        Eu, mooorta, descansando e recuperando o fôlego.



        Conforme você vai subindo, a vista vai ficando mais bonita. Dá pra ver o rio Urubamba virar só um fiozinho, as ruínas de Machu Picchu ficando pequenininhas, e as nuvens (sim, nuvens) ficando lá pra baixo. Sem falar da vista das montanhas em volta.

        Machu Picchu vista lá de cima



        Em alguns pontos, você precisa passar com muito cuidado, senão você simplesmente cai de lá de cima no precipício. Aí você se pergunta: é perigoso? Sim, é perigoso. Mas só é perigoso para os imprudentes! Se você vai com calma, no seu ritmo, sem se arriscar, não tem perigo. O perigo é levar um tombo sem querer. Mas respeite os seus limites que vai dar tudo certo.

        Elton, meu amigo imprudente (mas sobreviveu).



        Continuando a subida, uma hora você chega em um túnel estreito, praticamente um buraco no chão. Eu, que tenho 50 kg, achei bem claustrofóbico. Mas é bem curtinho e não é nenhum problema passar por lá. Logo depois, a gente vê uma passagem com pedras amontoadas. Quando passar por elas, você sabe que está quase chegando!




        Eu comecei a achar mais fácil subir da metade pra cima. No começo eram escadas e mais escadas. Mas a partir do meio, escadas e caminhos retos se alternavam mais, e você ainda encontra alguns platôs no meio do caminho. E depois de uns poucos minutos de caminhada a mais, de repente você percebe que CHEGOU NO TOPOOO!




        O topo da montanha são só pedras, exatamente como se vê na foto. Você pode se perguntar: "tudo isso pra ver umas pedras?". Mas pensa bem, o que importa não é o que tem no topo, é o que viu durante toda a jornada até lá. A vista de lá de cima nem é das melhores, mas quando você olha em volta, você percebe que está no meio das NUVENS! Não é neblina, são nuvens. A atmosfera lá em cima é simplesmente incrível! E também tem aquela coisa de missão cumprida, cheguei viva! \o/

        Aí vem a descida. Temos que voltar, não é? Na subida você não vê que atrás existe um precipício, mas na volta sim! É um pouco assustador, em alguns momentos você tem que descer de bundinha. Mas pensando pelo lado bom, pelo menos cansa menos e a vista continua incrível!






        Vale a pena subir a Huayna Picchu?
        Absolutamente SIM! Eu saí de lá acabada, suada, com dores musculares, joelho doendo, mão ralada, meio suja, mas a experiência de subir esta montanha é indescritível. É um perrengue? Sim, do começo ao fim. Mas é um perrengue que vale super a pena pela vista magnífica, pelas pessoas que você conhece no caminho, e pela experiência em si que é passar por essa aventura. Garanto que você não vai esquecer desse momento tão cedo. Não é fácil chegar em Machu Picchu, então se você chegou até lá, aproveite para viver Machu Picchu por completo. O meu conselho é: se você tem condições físicas de subir a montanha, não tem medo de altura e quer viver uma experiência única, VAI SIM!

        Yes, we did it!









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        quarta-feira, 29 de julho de 2015

        Viagem para Nova York: Dicas e Roteiro

        O post de hoje é uma colaboração da nossa amiga Joyce Ramos que fez não só uma, mas QUATRO viagens incríveis para Nova York. Ninguém melhor do que ela para falar sobre a Big Apple, não é? Esperamos que gostem deste relato e das dicas imperdíveis!

        Não é à toa que Nova York é cenário de vários filmes e séries, reduto de famosos, constante inspiração para moda, músicas, peças de teatros e musicais. É uma cidade tão cheia de história, tão organizada e tão caótica, tão segura e tão sinistra, tão antiga e ao mesmo tempo tão modernona, tão tão tão... New Yooooork!!!





        Tive a oportunidade de visitar Manhattan e seus arredores em 3 viagens diferentes. Por que três vezes? I just can't get enough. Uma é pouco, duas é bom, três NÃO é demais. NY é daquelas que quanto mais você tem, mais quer, está em constante mudança, sempre surgem inúmeras novidades e ninguém jamais conseguirá conhecer a fundo todos os cantinhos da cidade que nunca dorme.

        Então, se você ainda não conhece pessoalmente esta queridinha, seguem as minhas dicas para te ajudar a ficar com muita vontade. Caso já tenha ido, faça como eu e comece a planejar a sua próxima vez!

        BAIRROS E DISTRITOS
        Não seja um "puta babaca" (by Amigo Gringo) achando que NY se resume a Times Square. Não tem nada pior que gente que viaja para qualquer lugar do planeta e fica apenas circulando no miolinho turístico. Ok, a Times Square é um ponto obrigatório, um símbolo mundialmente conhecido, a sensação de estar lá no meio pela primeira vez é indescritível, as lojas são lindas, muitas luzes, tudo é atrativo, mas, por favor, saia da zona de conforto!

        A cidade de Nova York é dividida em 5 distritos. Os "five boroughs" são: Manhattan, Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island. Vou focar no principal, Manhattan, mas, caso tenha tempo suficiente, vale muito a pena conhecer os outros participantes, especialmente o Brooklyn e até uma parte da cidade vizinha, New Jersey.

        Manhattan tem bairros com características próprias, eles são bem diferentes um do outro. Dá para notar que carregam heranças dos imigrantes que foram se instalando em cada parte da ilha, pequenos países, formando uma espécie de mini-mundo cheinho de charme. Os principais são: Harlem, Upper West Side, Upper East Side, Midtown, Hell's Kitchen, Murray Hill, Kips Bay, Chelsea, Meatpacking District, West Village, Greenwich Village, East Village, ABC City, NoHo (North of Houston Street), SoHo (South of Houston Street), Little Italy, Chinatown, Bowery, Lower East Side, Tribeca e Wall Street (conhecido como Financial Center).

        A maioria das pessoas que vivem em Nova York não nasceram lá. Os nova-iorquinos são pessoas que deixaram outro lugar procurando algo melhor, o que sugere que a população em geral tem mais garra, energia e ambição. Existe uma certa “fama” nos Estados Unidos de que os New Yorkers são metidos a inteligentes e mal educados. Em diversas situações, eu cheguei à conclusão de que são workaholics super simpáticos, gostam muito de puxar assunto, de ajudar, de agilidade e praticidade. Alguns funcionários de serviços públicos e garçons de restaurantes cheios podem parecer impacientes, mas eles só estão querendo resolver logo uma situação para atenderem os próximos. Seja rápido. “NEEEXT!”

        CENTRAL PARK
        No meio de tantos arranha-céus enormes, fica o famoso Central Park, um refúgio verde.

        Apesar de parecer natural, ele é quase que inteiramente projetado/plantado. Foi inaugurado em 1857 e passou por algumas renovações. Hoje, é uma área de 3.410 km² com 7 lagos artificiais, mais de 25.000 árvores (nativas e exóticas), trilhas para caminhadas, ciclovias, 2 pistas de patinação no gelo (apenas no inverno), piscina (apenas no verão), campos de baseball, quadras de volleyball, tennis, croquet, boliche, playground, esculturas importantes, Strawberry Fields (homenagem a John Lennon). o Central Park Zoo, o Hallett Nature Sanctuary, e, além dos mais de 25 milhões de visitantes anuais, é frequentado por uma fauna super diversa. Várias espécies migratórias de aves, morcegos, corujas, esquilos, guaxinins, gambás, uma infinidade de insetos e, as vezes, até coiotes. Me sentí em uma floresta selvagem quando presenciei, mais de uma vez, aves de rapina famintas “sequestrando” esquilos alegremente saltitantes e dilacerando-os no topo das árvores.O Central Park serviu de modelo para muitos parques urbanos de outros países - inclusive o Ibirapuera, em São Paulo - é o parque mais visitado dos Estados Unidos e um dos cenários mais filmados do mundo inteiro.Ele é realmente lindo e fica difícil escolher em qual estação do ano a paisagem fica mais estonteante.

        CLIMA
        Em NY as estações do ano são bem definidas, isso quer dizer que as temperaturas chegam aos dois extremos. O verão é bem quente, úmido e abafado. A temperatura sobe rapidamente e pode chegar a 39ºC no mês de julho. No inverno é comum ficar abaixo de zero, com o ápice em janeiro (chegou fazer -14ºC em 2014). Tempestades de neve podem paralisar o trânsito na cidade, com mais de 50 centímetros de neve acumulada.

        Abaixo uma média do tempo em New York City nos últimos anos:
        • ABRIL E MAIO: Máxima 20ºC / Mínima 5ºC (Primavera)
        • JUNHO ATÉ SETEMBRO: Máxima 32ºC / Mínima 17ºC (Verão)
        • OUTUBRO E NOVEMBRO: Máxima 17ºC / Mínima 3ºC (Outono)
        • DEZEMBRO ATÉ MARÇO: Máxima 8ºC / Mínima -7ºC (Inverno)

        TRANSPORTE

        SUBWAY
        A maneira mais rápida para se deslocar em NY é de metrô. O sistema de metrô nova-iorquino é um dos maiores e mais eficientes do mundo. Todos usam, até o Keanu Reeves, até a Rihanna, até a Anne Hathaway, até o Jake Gyllenhaal, até o Jay Z, e, pasme, até as Kardashians!



        No começo, todo esse emaranhado de linhas, letras e números assusta um pouco, mas logo você aprende para onde ir. Os funcionários são bastante solícitos, assim como os moradores que estão sempre dispostos a ajudar quando avistam turistas coçando a cabeça enquanto olham para um mapa.



        Tem mapas como este em todas as estações e, as maiores (Grand Central, Times Square, Penn Station, Union Square) permitem conexões com diversos trens diferentes, então pode se perder à vontade no mundo subterrâneo de NY. Mas, é importante saber...
        • UPTOWN: vai sentido Norte.
        • DOWNTOWN: vai sentido Sul.
        • LOCAL: ele para em todas as estações da linha.
        • EXPRESS: ele só para nas estações importantes.
        Coisas de Nova York: pode acontecer de um trem LOCAL virar EXPRESS do nada, o maquinista avisa e os passageiros tem que prestar muita atenção. Então, fique esperto para não perder esta informação e sair correndo do trem quando for necessário.

        METROCARD
        Compre um MetroCard e seja feliz! O MetroCard é levemente parecido com o Bilhete Único de SP, um passe que permite a utilização integrada (e econômica) de metrô e ônibus. Escolha o de 7 dias ou o de 30 dias, você pode usar quantas vezes quiser durante o período que escolher (com um intervalo mínimo de 18 minutos entre uma passada e outra).


        Em todas as estações tem máquinas touchscreen para comprar o seu, com dinheiro ou cartão.
        • 1 passagem avulsa = $2,75
        • Cartão para 1 semana = $31,00 (compensa se for usar mais de 13 vezes)
        • Cartão para 30 dias = $116,50 (compensa se for usar 47 vezes ou mais)
        Vale lembrar que cada viagem inclui uma baldeação entre metrô e ônibus válida por até 2 horas a partir do momento em que passar na catraca.

        TÁXI
        Se estiver em grupo, com muitas compras, com muita canseira, muita dor nos pés, pode valer a pena pegar um táxi. Os yellow cabs estão por toda parte, só é difícil conseguir um disponível nos horários de rush. É divertido andar de táxi em NY, os motoristas são umas figuras e muitos carros tem uma mini TV embutida para você poder acompanhar o trajeto que está fazendo e assistir trechos de programas de TV, previsão do tempo e propagandas. 20 quarteirões sem muito trânsito dá mais ou menos $6 de táxi. Mas não se esqueça que deve incluir pelo menos 15% de gorjeta também para os taxistas.

        Cena do filme “Esqueceram de Mim 2”




        Para sair e chegar dos 3 aeroportos próximos, a tarifa aproximada é de:
        • JFK: $57 + gorjeta de $8 = $65
        • La Guardia: $40 + gorjeta de $6 = $46
        • Newark: $70 + gorjeta de $10 = $80

        COMPRAS
        Mesmo quem não for uma pessoa consumista, em New York tudo implora para que seja. Aos poucos, todo aquele consumismo vai te envolver e não há nada que possa fazer a não ser mergulhar neste paraíso capitalista. Tem de tudo, para todos os gostos e todos os bolsos.

        Woodbury Common Premium Outlets
        Este complexo a céu aberto, com uma linda vista para as montanhas e com mais de 200 lojas de marcas famosas fica em upstate New York, cerca de 1 hora de distância de Manhattan. A melhor maneira de chegar lá é com os ônibus de viagem da Gray Line, que saem do Port Authority Bus Terminal. Cada passagem de ida e volta custa $42 (cara!) quem faz a reserva no site da Gray Line economiza $5 (não é nenhum milagre). São diversos horários de saída e chegada, mas programe-se para sair bem cedo (7:15am) e prepare-se para voltar no último ônibus (9:20pm). Dica: escolha antes no site do outlet e selecione no mapinha as lojas que te interessam, porque o lugar é imenso e não vai dar tempo de passar em todas. Os descontões e o passeio valem o esforço!
        ENDEREÇO: 498 Red Apple Court, Central Valley-NY

        Jersey Gardens
        É um outlet coberto, estilo shopping, não tão grande quanto o Woodbury mas também dá para passar o dia fazendo compras. Confira as lojas no site. Fica em New Jersey, porém é mais perto de Manhattan, meia hora. Outra vantagem de comprar lá é que New Jersey não tem sales tax (imposto) para roupas e calçados (em NY a taxa é de 8,875% para itens que custam acima de $110). Os ônibus da linha #111 da NJ Transit também saem do Port Authority Bus Terminal e a viagem de ida e volta para adultos custa apenas $6,50.
        ENDEREÇO: 651 Kapkowski Road, Elizabeth-NJ

        Target

        Eu nem sei como definir a Target. O que é isso? Como sobrevivemos sem Target no Brasil? É um super ultra mega blaster hiper mercado? Loja de departamento? Loja de brinquedos? Farmácia? Eletrônicos? Eletrodomésticos? Gadgets? Música? Esportes? Papelaria? Artesanato? É tudo isso em um só lugar e ainda tem o setor de produtos legais por apenas 1 dólar. Na Black Friday dos Estados Unidos, a grande maioria dos consumidores loucos por descontos corre para lá. Eu posso passar o dia todo em uma Target. A melhor de NY fica no Brooklyn.
        ENDEREÇOS: Atlantic Terminal, 139 Flatbush Avenue (Brooklyn) / East River Plaza, 517 East 117th Street (Harlem)

        Macy's

        A maior loja do mundo é a preferida dos turistas em NY. Ao entrar, procure o balcão de atendimento e peça um mapa, você vai precisar! São muitos andares, com taaantos produtos, várias escadas e elevadores. Apresentando um documento que prove que você é turista (passaporte ou RG), a Macy's oferece um cupom de 10% de desconto para usar em suas compras por até 30 dias. A Macy's é patrocinadora e organizadora de diversos eventos na cidade, incluindo a maravilhosa Thanksgiving Day Parade.
        ENDEREÇO: 151 West 34th Street

        Walgreens/CVS/Duane Reade

        As super farmácias dos Estados Unidos, que, além de medicamentos, são lotadas com tudo o que você pode precisar. Produtos de beleza (muitas marcas de maquiagens, esmaltes, cosméticos em geral), higiene, coisinhas para bebês e crianças, utensílios para cozinha, limpeza, eletrônicos, comidinhas, bebidas, guloseimas, frutas, meias, acessórios, livros, revistas. É um misto de farmácia com supermercado com livraria e todas as conveniências necessárias. Walgreens e CVS estão presentes em todo o território americano, já a Duane Reade só tem em NYC. Nem preciso listar os endereços, você com certeza vai se deparar com muitas espalhadas por Manhattan, a maioria delas fica aberta 24 horas.

        Toys R Us

        Uma das principais atrações da região da Times Square é, sem dúvidas, esta sensacional loja de brinquedos. Todos enlouquecem com a roda gigante bem no meio da loja, com os rugidos do Tiranossauro Rex animatrônico, com a casa da Barbie em tamanho real e as demonstrações ao vivo das novidades no mundo dos brinquedos.
        ENDEREÇO: 1514 Broadway at 44th Street

        FAO Schwarz
        A loja de brinquedos mais famosa do mundo, e também a mais antiga de NY, foi fundada por Frederick August Otto Schwarz (Em Baltimore no ano de 1862 e em NY em 1870). Já passou por diversos donos, diversos imóveis e desde 2009 a flagship na Fifth Avenue pertence ao mesmo grupo da Toys R Us. É uma megaloja, que faz qualquer adulto voltar a ser criança. Tem brinquedos tradicionais, colecionáveis, animais de pelúcia gigantescos, espaços interativos (o inesquecível piano de chão do filme Big, com Tom Hanks), customização de Muppets, Barbies, ursos e outros, tem até doceria e um café. Informação triste: este ano anunciaram que a flagship vai fechar em julho de 2015, devido ao crescente aumento do aluguel. Espero que resolvam abrigar uma nova FAO Schwarz em outro imóvel, porque ela faz parte da história de NY.

        UNIQLO 



        Marca japonesa básica e moderna, a UNIQLO tem peças com tecidos ultra tecnológicos. Alguns “signature style”: AIRism (roupas para a prática de esportes, tecido leve, com elasticidade, absorve instantâneamente o suor, minimiza odores); HEATTECH (roupas para isolamento térmico, peças com bio-aquecimento, parecem uma segunda pele e foram criadas para serem usadas como única camada por baixo de roupas de inverno); Ultra Light Down (casacos ultra leves e confortáveis para dias frios, material repelente à água, perfeitos para dias com chuva e/ou neve).

        MoMA Design Store
        Esta é para os fãs de design, com uma variedade incrível de acessórios, utilidades domésticas, decoração, papelaria e presentes super criativos, inteligentes, originais. O valor de todas as vendas é destinado para o apoio de projetos do Museum of Modern Art.
        ENDEREÇO: 81 Spring Street (SoHo)

        Forever 21, H&M, Urban Outfitters
        Lojas de roupas e acessórios fast-fashion que dispensam apresentações. São ótimas e são muitos os endereços, consulte nos respectivos sites.

        Bed, Bath & Beyond 
        O nome já diz, “Cama, Banho e Além”, cama, mesa, banho, eletrodomésticos, móveis, decoração, organização, cosméticos, apetrechos para a casa inteira, para adultos, para bebês e também para pets. São tantas utilidades interessantes que dá para se perder nas lojas por algumas horas.

        MUSEUS E GALERIAS

        Museum of Modern Art 
        O MoMA é o melhor museu de arte moderna da América do Norte. A coleção permanente é espetacular e as exposições sazonais provavelmente também serão. Confira o site para saber as novidades. Entrando no museu, todas as mochilas, sacolas, sacolinhas e bolsas devem ser guardadas (exceto as bem pequenas com documentos e carteiras). Então, uma boa dica: não faça compras antes de visitar qualquer museu. Dentro dele tem uma MoMA Store, atravessando a rua tem outra (não tão legais quanto a do SoHo, citada anteriormente). Ah, oferecem audio tour gratuito, que são pequenos dispositivos onde você digita o número designado em determinada obra para ouvir informações sobre o que está observando.
        ENDEREÇO: 11 West 53rd Street (Midtown)

        American Museum of Natural History

        Não é só porque eu amo a natureza, os animais e teorias da origem do universo, mas este museu é o mais completo, mais educativo, mais espetacular, mais imperdível, mais foda de todos. Como a maioria das coisas nos Estados Unidos, é enorme. Dá para ter uma ideia no filme "Uma Noite no Museu", pois foi locação do longa-metragem. Mas, loucuras à parte, lá você vai ver e entender como ocorreu a evolução das espécies; o surgimento dos dinossauros  sim, eles tem a coleção mais incrível de fósseis reais de vários dinossauros e até um mumificado!  teorias da extinção destes gigantes; a história da humanidade; uma visão antropológica de como os índios nativo-americanos e outros povos viviam, além de uma quantidade absurda de animais conservados por taxidermia em ambientes espetacularmente realistas. O Museu de História Natural não só mostra o que acontece na Terra, mas também te dá uma impressão do que acontece no espaço e no sistema solar. É demais. Palavras mal conseguem explicar este lugar. Faça valer a sua própria existência... apenas vá!!!
        ENDEREÇO: Central Park West & 79th Street (Upper West Side)

        Metropolitan Museum of Art

        Mais conhecido como "The Met", é o maior museu de Nova York. Assim como Paris tem o Louvre, Nova York tem o Met. Não dá para conhecer ele inteiro em um dia, nem em 3 dias. As coleções são extensas, variando de Antigo Egito a armaduras da Europa medieval; pinturas e esculturas de séculos passados; moda, fotografia, arte contemporânea e exposições especiais temporárias. São cerca de 2 milhões de obras de arte de todas as partes do mundo, abrangendo 5000 anos, em mais de 400 galerias.
        ENDEREÇO: 1000 5th Avenue

        Guggenheim


        O Guggenheim, localizado no Upper East Side, é um dos edifícios mais bonitos de New York. Muitas pessoas que o visitam pela primeira vez acham que é uma construção recente, futurística, mas o prédio foi construído em 1959. O responsável pelo projeto foi Frank Lloyd Wright, um dos arquitetos mais famosos dos Estados Unidos. O que torna o edifício tão especial são os círculos superiores que são muito mais largos que os inferiores. Suba até o último andar e vá descendo a espiral. Este efeito muito louco foi responsável pelo museu ser um dos cenários do filme "MIB – Homens de Preto". Os curadores também organizam exposições temporárias, mas a coleção permanente de Solomon R. Guggenheim é bem interessante, dividida em Thannhauser (que inclui, entre outros, Picasso, Van Gogh e Cézanne) e Kandinsky.
        Atenção: Fechado na quinta-feira. Abre somente de sexta-feira a quarta.
        ENDEREÇO: 1071 5th Avenue

        Intrepid: Sea, Air & Space Museum
        O Intrepid é o único museu onde os visitantes tem a oportunidade de admirar de dentro do lendário porta-aviões USS Intrepid, o primeiro ônibus espacial (Enterprise), o avião comercial mais rápido do mundo (Concorde da British Airways) e um submarino da Guerra Fria (USS Growler). Além dessas inovações, tem também 27 aviões antigos, incluindo o avião militar mais rápido, um avião de espionagem e você pode aprender de perto como os equipamentos eram utilizados e como a tripulação trabalhava.
        ENDEREÇO: Pier 86 na 46th Street (lado oeste de Manhattan)

        Madame Tussauds
        Maria Tussauds, francesa nascida em Estrasburgo, fez sua primeira figura de cera em 1778. Em 1802, ela deixou a França e foi expor suas obras na Inglaterra. Após sua morte, seus filhos herdaram a exposição e a transportaram para a localização atual do museu Madame Tussauds em Londres, em 1884. Desde então, 20 Madame Tussauds foram abertos em todo o mundo em diferentes capitais. As figuras de cera permitem aos visitantes fazer uma viagem extraordinária através da história de fama e poder, reviver eras e momentos importantes que moldaram o mundo. O museu também oferece uma série de atividades interativas, como: Music Experience, Marvel Super Heroes 4D Cinema, Newsroom, Sports Zone.
        ENDEREÇO: 234 West 42nd Street, entre a 7th e 8th Avenue (Midtown)

        Tenement Museum
        Este museu conta a história dos muitos imigrantes da cidade, uma visão única para quem quer aprender mais sobre esse caldeirão cultural de NYC. Fica localizado em um complexo de apartamentos que foi o lar de mais de 7000 imigrantes de 20 nacionalidades diferentes entre 1863 e 1935. Todos esses habitantes foram confrontados com grandes desafios sob circunstâncias extremamente pobres. Eles tiveram que se acostumar com uma nova identidade, trabalhar pesado para garantir um futuro melhor e sustentar suas famílias com recursos extremamente limitados. Imagine uma vida sem água, gás e eletricidade, e apenas um banheiro no quintal, compartilhado com outras 20 famílias. O museu restaurou seis apartamentos de volta ao seus estados originais e os atores fantasiados e guias te levam a uma pequena viagem no tempo através de diferentes cômodos. Você vai ver como a área se transformou em “Kleindeutschland” (Little Germany ou Pequena Alemanha, em português), depois habitada por imigrantes do leste europeu até a comunidade irlandesa se instalar na área. São vários tours diferentes para escolher, tem até o “Tastings at the Tenement”, para experimentar uma variedade de alimentos enquanto entende a influência da cultura imigrante em tudo que os americanos comem hoje em dia.
        ENDEREÇO: 97 Orchard Street (Lower East Side)

        Jonathan LeVine Gallery 

        Vivendo na juventude dos anos 80, Jonathan LeVine se interessou pela estética contracultural, folhetos de punk, histórias em quadrinhos, grafites e tatuagens. Em 1994, tornou-se curador independente, organizando exposições em locais de punk e rock alternativos na área de NY e NJ, como: CBGB, Webster Hall, Max Fish, e Maxwell. Ao promover essas novas formas de artes visuais através de exposições coletivas, LeVine deu um lar para o movimento logo no início. Em fevereiro de 2001, abriu sua própria galeria na Pensilvânia, se mudou para a Filadélfia no final de 2002 e em janeiro de 2005, foi para o epicentro do mundo da arte contemporânea, o distrito de Chelsea, em Manhattan. A galeria fez sucesso ao nutrir as carreiras de Shepard Fairey, Invader, Olek e outros artistas que ficaram bem famosos. Se dedica a continuar sendo referência com exposições extraordinárias, cativantes e acessíveis.
        ENDEREÇOS: 557C West 23rd Street / 529 West 20th Street, 9th floor (Chelsea)

        Joshualiner Gallery 
        Assim como a Jonathan LeVine Gallery, a Joshua Liner Gallery apresenta trabalhos de artistas emergentes. Foi fundada em 2008, no Chelsea, o distrito das artes de Nova York e promove exposições temporárias. As obras se desprendem da estética do passado, são mais envolvidas com a nova tecnologia, política, sociedade urbana contemporânea, o meio ambiente e a globalização.
        ENDEREÇO: 540 West 28th Street (Chelsea)

        OUTROS PASSEIOS

        High Line

        O High Line é um parque suspenso que demonstra o instinto artístico e criativo nova-iorquino. Ele fica em uma linha férrea desativada que foi construída em Manhattan na década de 30. Os trens transportavam produtos para o abastecimento da cidade (carnes, laticínios, cereais e verduras) que eram descarregados nos armazéns da zona portuária do rio Hudson. A ferrovia era conhecida como “Live Line” e cumpriu sua função durante 4 décadas. Com o surgimento dos caminhões de carga, os trens foram perdendo espaço e pararam de circular em 1980. Vários trechos do elevado ferroviário foram desmantelados, mas o pedaço entre a Rua 34 e a Gansevoort ficou e foi esquecido. A vegetação tomou conta do espaço, cobrindo trilhos e mostrando que a natureza pode conquistar até ambientes com apenas concreto e ferro.
        Em 1999, a Prefeitura de Nova York decidiu que iria demolir o elevado. Mas os residentes conseguiram impedir. Em 2002, o Prefeito Michael Bloomberg garantiu que Nova York cederia fundos para converter a ferrovia em um parque, aproveitando aquela vegetação existente. Desde sua inauguração, em junho de 2009, o High Line atrai muitos visitantes e artistas interessados em apresentar seus trabalhos ao redor do parque. É uma exposição a céu aberto, muito agradável para passear e relaxar.
        Há vários pontos de acesso, mas os melhores são as duas pontas: na Gansevoort Street (perto da estação 8th Avenue) e na rua 30 com 10ª Avenida (perto da Penn Station).

        Greenmarket Farmer's Market 

        Uma boa maneira de conhecer bem os costumes de uma cidade é experimentando a agricultura regional. Este Farmer's Market da Union Square dá a oportunidade para pequenas fazendas familiares venderem seus produtos diretamente aos consumidores. Isso garante acesso a alimentos fresquinhos, nutritivos, cultivados localmente e com o bônus de poder trocar informações com os simpáticos produtores.
        ENDEREÇO: Union Square Park (na esquina da Union Square West com a East 17th St)
        Segundas, quartas, sextas e sábados, das 8h até 18h.

        OBSERVATÓRIOS

        Top of the Rock

        No 70º andar do Rockefeller Plaza você pode ter uma vista deslumbrante de 360 graus de Nova York. De um lado o Central Park, do outro o Empire State Building e muitas outras visões de cartão-postal ao redor. Suas expectativas já crescem no início do tour, com a exposição de fotos e artefatos que contam a história do Rockefeller Center e do Top of the Rock. O “passeio” no elevador também é espetacular, o teto é transparente, o que permite ver ele subindo ultra rápido, com direito à luzes e sons. Recomendo ir no final da tarde, para observar o pôr do sol e a linda transição para a noite, quando as luzes da cidade começam a pipocar. Não deixe de passear dentro do complexo Rockefeller Center, entre as ruas 47th e 50th e as avenidas 5th e 7th.

        Empire State Building

        O Empire State Building é um dos edifícios mais famosos do mundo, símbolo de uma época importante na história e, de certa forma, é visto como mais influente do que a Estátua da Liberdade. Ele tem refletores de LED que podem iluminar o edifício com 12 milhões de combinações de cores diferentes. As luzes são alteradas o ano todo para refletir vários eventos, feriados e festas. Também conta com um observatório, a partir do 86º andar você tem uma vista incrível da cidade e pode subir até o 102º andar. Se for para escolher entre este e o Top of the Rock, prefiro o segundo, porque dele dá para apreciar o Empire State.

        One World Observatory

        O One World Observatory é o mais novo observatório de Manhattan, inaugurado no dia 29 de maio de 2015, e também mais um motivo de orgulho de Nova York. Localizado no topo do One World Trade Center, fica no mesmo quarteirão do antigo World Trade Center – onde atualmente está o 9/11 Memorial – e é o prédio mais alto do ocidente, pode ser visto praticamente de qualquer ponto da ilha. A atração começa com a revista de segurança (não vá com bolsas/mochilas grandes); no “Centro Mundial de Boas-Vindas”, telões mostram o número e a origem de visitantes em tempo real; no “Vozes e Fundações”, vídeos com trabalhadores que participaram da obra e depoimentos ao longo dos nove anos de construção; os elevadores “Sky Pod” têm capacidade para 15 pessoas cada, sobem até o 102º andar em menos de um minuto e exibem um time-lapse virtual que recria a evolução do horizonte de Nova York desde o século XVI até os dias de hoje. Após o breve video “See Forever”, na sala inicial do observatório, as telas se levantam e revelam a primeira vista panorâmica da Big Apple. Descendo para o salão principal do observatório, janelas gigantes de vidro dão uma visão panorâmica da cidade em 360º. Tem também o “City Pulse”, um guia interativo apresentando os principais pontos turísticos da cidade por meio de um anel de monitores com tecnologia de reconhecimento de gestos, e por fim, o “Sky Portal”, um disco circular no chão com imagens em tempo real das ruas que estão abaixo dos seus pés.

        Water Taxi

        Táxis aquáticos oferecem serviços de turismo, fretamento e transporte para pontos ao longo do East River e do Hudson River. É um jeito diferente de ver as principais atrações de Nova York. Com o “All-Day Access Pass” (passe válido para o dia inteiro) você participa de um tour Hop-On Hop-Off, podendo embarcar e desembarcar em 6 piers ou relaxar e fazer um passeio completo de uma hora e meia. A bordo, o guia conta tudo sobre os pontos que está avistando: Empire State Building, Estátua da Liberdade, One World Trade Center, Battery Park, Wall Street, South Street Seaport, Brooklyn Bridge Park, Intrepid Sea, Air and Space Museum e muito mais. O New York Water Taxi também transporta passageiros do Pier 11 para a loja IKEA do Brooklyn, do World Financial Center para diversos outros piers e faz cruzeiros noturnos para a estátua da liberdade, além de outros passeios sazonais. Consulte todos no site.

        E para saber mais sobre lugares legais para se comer em NY, confiram esse post especial com uma seleção dos meus lugares preferidos para se comer na Big Apple: Onde comer em Nova York: dicas por Joyce Ramos

        Joyce Ramos é formada em Comunicação Social (Rádio e TV) e é sócia-proprietária da marca FUSS. Nascida em São Paulo, sempre que possível busca se aventurar pelo Brasil e pelo mundo. Já viajou para 70 cidades e está de total acordo com a frase "Viagem é a única coisa que você compra que te deixa mais rico".


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