sexta-feira, 17 de julho de 2015

Pegando carona segura e barata dentro da Europa

No post de hoje, confira como você pode se locomover pela Europa economizando bastante. Longa história curta, se estiver sem paciência, pule para o parágrafo 4 (sem contar com este).

Quando eu passei por Luxemburgo agora em março (Luxemburgo é um dos menores países do mundo, localizado logo abaixo da Bélgica), estava um frio de congelar ossos, afinal ainda era inverno. O hostel/albergue da juventude que eu fiquei é o único que existe na capital (falaremos sobre ele num post futuro), e à noite servia dois tipos de sopa a um preço módico. Sabe aquele conforto gostoso que sua barriguinha merece em dias frios? Era bem isso.

O albergue é chamado "da juventude", mas o fato é que esse tipo de rede acomoda velhinhos, crianças, adolescentes, adultos, todo mundo num clima bem familiar. Eis que na hora da sopinha, chega um senhor de meia idade puxando papo comigo. Conversa vai, conversa vem, ele explicou que era francês e estava de carro a caminho da Bélgica, que apenas visitaria algumas pessoas em Luxemburgo.

Eu já admirando um senhor tão independente, cruzando fronteiras sozinho e destemido, quando ele me disse que veio só, porém não solitário. Neste ponto eu já estava um pouco confusa.

Aí ele me explicou do que se tratava: ele deu carona para 4 pessoas através de um serviço chamado BlaBlaCar (parecido com o Uber, só que para viagens mais longas e sem opções profissionais). Consiste em um site e um aplicativo que você pode pegar caronas. Claro que é necessário dividir os custos da viagem previamente pelo site, para ninguém sair perdendo.

A primeira coisa que deve-se fazer é um perfil no BlaBlaCar. Lá você declara se tem ou não um carro para dar carona. Como somos turistas, provavelmente estaremos procurando carona e não oferecendo. Se você não manja de inglês, cadastre-se no site em português europeu (aproveite e descubra que carona em português de Portugal é boleia).

Depois de feito seu perfil, você pode pesquisar pela viagem, colocando seu ponto de partida e ponto final, além do dia de partida. Aparecerão muitas opções de carona, com valores e horários variados. Não esqueça de conferir o perfil do motorista e suas restrições para evitar grandes surpresas.



Selecionada a sua carona, você é direcionado ao pagamento. Após a confirmação do mesmo, você pode combinar com seu motorista sobre ponto de encontro e demais dúvidas. Pronto! É fácil, rápido, seguro e muito barato.

Só para se ter uma ideia, pesquisamos no site GoEuro preços em uma data aproximada, com mesmo destino e ponto inicial.




Neste caso, a única oferta um pouco mais barata que o BlablaCar é a viagem de ônibus. É bom sempre pesquisar o que vale mais a pena no momento da sua viagem.

Se quiser seguir o conselho do velhinho francês simpático, experimente o BlaBlaCar. ;)

PS: O serviço funciona fora da Europa, aparentemente. Mas as grandes ofertas de carona concentram-se lá.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Roteiro: Lima em 2 dias (Peru)

Fiz o que a maioria das pessoas que vai para Machu Picchu faz: passei em Lima porque era caminho (o voo obrigatoriamente para em Lima, na ida e na volta de Cusco). Mas apesar de ser uma cidade em que as pessoas passam rapidinho, como eu passei, fui surpreendida por uma cidade repleta de coisas interessantes para se ver e se fazer. E diferente de Cusco, Lima é em geral bem urbana e moderna, mas igualmente simpática! Vale super a pena dar uma paradinha em Lima ao invés de fazer só uma conexão no seu voo (o preço da passagem não se altera na maioria das vezes). Dá pra ficar mais que 2 dias? Sim, com certeza! Sempre tem mais coisas pra se conhecer, mas em 2 dias você conhece a maior parte dos pontos turísticos principais. Então vamos lá?

DIA 1: Miraflores e San Isidro

Que tal começar o dia pulando de parapente? Eu pulei, e foi fantástico! A área de salto fica localizada no Parque Antonio Raimondi, o voo é de 10 minutos e passa por toda a costa de Miraflores. Ele passa bem perto das pedras e dos prédios, mas em nenhum momento achei perigoso, é um voo bem calminho. No final você ainda pode comprar fotos e o vídeo do seu voo. Veja mais informações aqui.





Não deixe de passar na famosa Plaza del Amor. É uma pracinha linda que beira a costa, toda decorada com mosaicos de azulejos, e claramente se vê nela a influência do estilo de Gaudí, famoso arquiteto modernista catalão. E daqui, se tem uma vista espetacular do Oceano Pacífico (dá para ver na foto acima).



Seguindo pela costa, você chega no Shopping Larcomar. Lá você encontra várias lojas e restaurantes legais, mas a atração principal nesse shopping não são as lojas. É o mirador do shopping! Vale a visita pela vista linda que se tem do Pacífico. O pôr do sol visto daqui é realmente incrível!

Essa vista! #nofilter



Indo mais para o centro de Miraflores você encontra a Huaca Pucllana, um sítio arqueológico pré-inca. Acredita-se que era um antigo centro cerimonial do ano de 400 a.C. usado para sacrifícios. Já no bairro vizinho de San Isidro, continuando nos sítios arqueológicos, você pode visitar a Huaca Huallamarca. Um centro de adoração com pirâmides datadas entre 200 e 500 a.C., aqui você também encontra um pequeno museu e detalhes da escavação.

Huaca Pucclana e Huaca Huallamarca (Créditos: Wikipedia McKay Savage e AgainErick)



San Isidro é o centro financeiro de Lima. Se tiver tempo, vale passar por aqui pra ver um lado mais moderno da cidade, com uma área de comércio movimentada, vários restaurantes e baladas. E no meio dessa modernidade toda, você encontra o Bosque el Olivar, que é quase que um oásis no meio do cinza de San Isidro. Contrastante!

San Isidro e Bosque el Olivar (Créditos: Wikipedia Hector Becerra e Checo890)



No final do dia ainda vale dar uma voltinha no bairro de Barranco, o centro boêmio da cidade, onde estão os bares mais descolados de Lima.


DIA 2: Centro Histórico

Comece o dia no marco zero, a Plaza de Armas, onde a cidade de Lima foi fundada em 1535. Em volta da praça, você encontra o Palacio Arzobispal e o Palacio de Gobierno (residência do presidente). Lá também está a Catedral de Lima, onde estão os restos mortais de Francisco Pizarro, o explorador espanhol que conquistou o império Inca e fundou a cidade.

Plaza de Armas (Créditos: Elton Dias)



Em seguida, passe rapidamente na Iglesia de Santo Domingo, uma igreja simpática do século 16. E depois siga para o Museo y Catacumbas San Francisco, um convento com catacumbas da época pré-hispânica, contendo ossadas de cerca de 25.000 corpos espalhados em suas galerias subterrâneas. É um pouco macabro, mas vale muito a pena a visita.

Catacumbas San Francisco


Próximo ao monastério, está o Parque de la Muralla, com restos de um muro que cercava Lima no século 17, e uma estátua de Pizarro (o conquistador espanhol).

Se der tempo, vale passar no Cerro San Cristóbal. É um morro onde se tem a vista panorâmica da cidade. Eu não tive tempo de ir, mas li em alguns lugares que vale ir de táxi durante o dia e evitar subir a pé. Dizem que área é um pouco perigosa.

Parque de la Muralla e Cerro San Cristóbal (Créditos: Wikipedia HappyApple)



Para terminar o dia, vale passar no Parque de la Reserva à noite para ver o show de águas do El Circuito Mágico del Agua. São 13 fontes ornamentais iluminadas controladas por computador. Pena que estava fechado quando eu fui, ele não abre de segunda-feira (fica a dica) e demos com a cara na porta!

Créditos: Wikipedia Martin Garcia



Você sabe de mais alguma dica imperdível para incluir nesse roteiro “intensivão” de Lima? Então conta pra gente aqui nos comentários!


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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Viagem ao Líbano

O post de hoje é uma colaboração do nosso amigo Fernando Rovéri, que fez uma viagem incrível para o Líbano. Esperamos que gostem deste relato e das dicas!

Haddad, Maluf, Skaf, Kassab, Temer. Você deve estar se perguntando: “Por acaso vim parar em uma página sobre política? Não, você está aqui mesmo, no Oysters' World. O motivo pelo qual este texto começa com esses famosos sobrenomes é apenas um gancho inicial para falar sobre um pequenino país do Oriente Médio, que muitos já ouviram falar, conhecem sua gastronomia, seus imigrantes e descendentes – inclusive esses citados acima – mas que poucos turistas planejam visitar.

Crédito: Wikipedia (Lebnen18)



Esse país é o Líbano. Pode-se não perceber, mas a influência da cultura libanesa no Brasil, principalmente em São Paulo, é imensa. Os próprios habitantes do país dizem que há mais libaneses aqui do que lá, o que é verdade: são apenas 4 milhões lá e 7 milhões vivendo no Brasil. Na verdade, o número é uma estimativa e inclui os descendentes. Há libaneses espalhados mundo afora, em diversos países da Europa e também nos Estados Unidos, mas a maior e mais forte comunidade ainda é a brasileira.

Os libaneses cresceram com força no Brasil. Simpáticos, trabalhadores e com tino para o comércio, vários deles se tornaram comerciantes e empresários poderosos. Os sobrenomes citados no início deste texto são todos de origem libanesa. Até hoje, ao caminhar pelas ruas do Centro de São Paulo, principalmente próximo à 25 de Março, é fácil encontrar descendentes ou libaneses mesmo, que migraram já há algum tempo. Além da força de trabalho, trouxeram a cultura e a espetacular gastronomia, que se tornou muito popular no Brasil. Quibe, esfirra, tabule, fatuche, kafta – são apenas alguns exemplos.

Os turistas brasileiros ainda têm certa resistência com o Oriente Médio, por diversos fatores: a influência – quase sempre negativa – da mídia, o preço das passagens, a dificuldade com a língua, a forte influência religiosa, o clima e os constantes conflitos entre os países da região. De fato, alguns lugares são mais perigosos e exigem um preparo especial, mas o Líbano vai na contracorrente desses estigmas. É um país lindo, com paisagens exuberantes, pessoas muito acolhedoras e preços acessíveis. Com exceção da hospedagem – pois até mesmo os hotéis mais afastados não são muito baratos –, os valores são bem camaradas, principalmente para comprar e comer. Por isso, o objetivo desse texto é quebrar alguns tabus, fornecer a maior quantidade possível de informações e aguçar a curiosidade de todos para que visitem este pequeno e maravilhoso país.

A CHEGADA
Ainda no avião com destino a Beirute, a companhia aérea distribui um formulário que deve ser preenchido e entregue ao oficial da imigração, nada muito complicado. Além das informações pessoais, eles pedem o endereço de onde estará hospedado, por isso é bom ter em mãos o voucher do hotel. Se alguém for lhe hospedar, peça uma carta-convite assinada, escrita em inglês mesmo. No caso, a oficial não pediu documentos, apenas o formulário preenchido e o passaporte. Ela verificou todas as folhas, uma por uma, para ver os carimbos. Isso será esclarecido adiante.

Assim como outros países do Oriente Médio, a infraestrutura é precária. Não há metrô, trem, e as linhas de ônibus são confusas. A melhor opção ao sair do aeroporto é mesmo o táxi. Mas atenção: dê ao motorista o endereço e combine o preço antes da corrida, pois eles não têm taxímetro e podem cobrar o valor que quiserem.

BEIRUTE
A capital do Líbano é a maior cidade e também a mais populosa do país, com cerca de 1,9 milhão de habitantes. É possível conhecê-la bem em três dias, e revirá-la de ponta-cabeça em cinco. A cidade é pequena e, apesar do problema do transporte e do trânsito bagunçado, muito comum em países do Oriente Médio, pode-se andar tranquilamente pela cidade. E, sim, é seguro. Inclusive para mulheres.

A melhor opção é ir direto nos principais pontos turísticos da cidade e, aos poucos, ir para outras regiões. Hospedagem mais afastada da região central não é um problema. Basta pegar um táxi, o valor é acessível. Mas, repetindo: o valor da corrida deve ser combinado antes. Normalmente os hotéis ajudam com isso, e também os próprios libaneses, sempre muito solícitos. A impressão que se tem é que o turista tem sempre um tapete vermelho à sua frente.

Caso queira começar o passeio por um ponto central e de lá ir adiante, a melhor escolha é a Nejmeh Square, ou Place de l’Etoile (não confundir com a de Paris), mais conhecida por nós como a Praça da Relógio. Esse é um dos principais cartões-postais de lá. O relógio foi um presente à cidade dado por Michel Abed, emigrante libanês-brasileiro, ainda na década de 1930. Ao redor da praça, muitos cafés e restaurantes, transeuntes e turistas. Costuma lotar à noite, principalmente no verão. Caminhar por ali, de dia ou à noite, é uma delícia. E os cafés e restaurantes ao redor são ótimos.

Nejmeh Square (Praça do Relógio)




Ao contrário da maioria dos países árabes, o álcool é liberado. Então ninguém precisa se preocupar se quiser caminhar pelas ruas com uma cerveja na mão. E são boas. A mais famosa é a Almaza, ideal pra bebericar no calor.

Saindo da Nejmeh Square, o ideal é explorar as ruas ao redor e admirar as construções de estilo colonial francês. O Líbano foi colônia francesa, e eles souberam e gostam de preservar essas características, tanto que na maioria das placas de rua se vê Rue (Rua, em francês).



Por ter passado por muitas guerras e bombardeios, a reforma é constante e muitos prédios estão cobertos por tapumes. Vários edifícios ainda estão com as marcas de balas. A último grande ataque sofrido foi em 2006, quando Israel bombardeou o país.

Reconstruindo Beirute | Marcas do passado




Ao mesmo tempo que o antigo é preservado, o novo também surge. Aqueles típicos arranha-céus ultramodernos começam a desenhar a nova arquitetura de Beirute. É interessante ver esse contraste, assim como é mais interessante ainda ver uma mesquita e uma igreja em uma mesma rua, lado a lado, convivendo harmoniosamente, como a famosa Mesquita Azul ao lado da Catedral Maronita de São Jorge e da Catedral Ortodoxa Grega de São Jorge. Isso faz do Líbano um país mais maleável e tolerante no que tange às religiões dentro do Oriente Médio.

A Mesquita Azul e as catedrais estão também no centro de Beirute. Ali perto também estão os banhos romanos, com séculos de história. Há também ruínas de construções feitas por bizantinos, persas e otomanos, as quais o governo libanês, em parceria com outros países, está se esforçando para preservar.

Mesquita Azul | Centro









Algumas ruas estão fechadas pelo exército e os soldados não permitem passar. Uma dica: não os fotografe, nem mesmo à distância. Isso pode causar problemas. Se a rua estiver ocupada por eles, melhor não fotografar.

O centro ainda tem museus, além de mais mesquitas e igrejas. Para quem quiser fazer compras, uma ótima opção é o Beirut Souks, com cerca de 200 lojas e uma arquitetura incrível. Apesar de estar em uma região “rica” e turística, os preços são ótimos. Há lojas conhecidas, como Zara e H&M, mas o bom mesmo é procurar as lojas menores. Há roupas incríveis e baratas, principalmente femininas. Só é preciso tomar cuidado com algumas peças “excessivas”, já que as libanesas adoram andar “arrumadas demais”. Elas gostam de muito brilho, saltos altos e maquiagem fortíssima. No Souks é possível encontrar de tudo, e também comer, embora o ideal seja mesmo ir nos restaurantes nas ruas, mais baratos e com refeições mais saborosas.

E já que o assunto é comércio, ninguém deve sair de Beirute sem antes visitar o fascinante Burj Hammoud, ou “Little Armenia”. À primeira vista, pode-se achar o bairro feio e sujo, mas essas impressões vão embora quando se convive com a população local, majoritariamente formada por armênios. Libaneses e armênios sempre tiveram boa convivência, e ambos têm aquele tino para o comércio.

O comércio popular reina. Tem de tudo, mas tudo mesmo, e os preços são infinitamente menores se comparados à região central. Porém, quem quer comprar roupas “finas” não vai achar muita coisa, pois o foco é o popular, mas nem por isso é feio ou ruim. Para quem gosta, há uma boa quantidade de lojas de cama, mesa e banho. Para quem quem comprar os típicos souvenires de viagem – aqueles com a bandeira do país, paisagens etc. – deve comprar no Burj. Há belíssimos acessórios de marchetaria que valem a pena ter. Para quem gosta de louças, o local também tem diversas opções.

Lojas populares na peculiar e simpática Little Armenia. |  E sim, isso é um vestido de noiva





Vale lembrar: negociar é com eles mesmo. Alguns jogam o preço nas alturas porque querem mesmo negociar. Eles gostam. Por mais que exista a dificuldade da língua, a negociação sai. É mostrar os valores com as mãos, o dinheiro, arranhar um inglês, enfim. A maioria das pessoas que visitam o Burj Hammoud saem de lá abarrotadas de compras.

Burj também é uma ótima oportunidade para provar a gastronomia da Armênia. É parecida com a comida libanesa, mas com mais tempero, principalmente a pimenta. Os restaurantes podem parecer imundos do lado de fora, mas confie. É tudo limpo, bem limpo. Ninguém deve sair de lá sem provar o shawarma feito ali. Acredito que nenhum em todo o mundo seja tão saboroso. Inspire-se aqui.

Shawarma maravilhoso!



O dia pode ser finalizado com mérito, assistindo o pôr do sol na frente do mar Mediterrâneo. Boa opção é ir até o calçadão da Corniche, também conhecida como Avenue Paris, e caminhar enquanto o sol se põe. Ali também fica outro ponto turístico importante da cidade, a Pigeon Rocks. Para quem gosta, o Hard Rock Café fica nas proximidades, mas também há outros bons restaurantes que servem a espetacular comida libanesa.

Fãs de fast-food devem se preparar. As lanchonetes existem mas são raras. A população em geral não gosta desse tipo de comida, e mesmo que queiram comer hambúrguer e batata frita, preferem ir a uma lanchonete mais artesanal. Comer é uma atração à parte no Líbano.

Os libaneses valorizam muito a própria gastronomia, e o ato de sentar à mesa com familiares e amigos é uma atração à parte para eles. Um almoço ou jantar pode durar horas e horas. Tudo é farto, fresco e muito saboroso. Se receber um convite para jantar na casa de alguma família, aceite. Além da ótima comida, a receptividade é ótima.

Jantar: comida boa e farta



Baladas: sim, Beirute tem uma vida noturna intensa, principalmente no verão. A região central concentra a maioria dos bares e clubes, e pode-se encontrar de tudo, desde shows de música local a música eletrônica. Eles costumam sair muito arrumados e perfumados. As mulheres podem sim usar roupas curtas no verão, os homens respeitam e não há assédio nas baladas. Pelo menos foi o que vi.

ALÉM DE BEIRUTE
Por se tratar de um país pequeno, pode-se percorrer o Líbano em poucos dias. Ao sul, as cidades de Tiro e Sídon têm praias maravilhosas e ruínas que datam de séculos. Ao norte, há Jounieh, Baalbek e a incrível Biblos. Na época da viagem, não foi possível visitar Baalbek por estar próximo à divisa da Síria e o período estava turbulento, mas Jounieh e Biblos são cidades tranquilas e muito fáceis de chegar. O ideal é perguntar no hotel, mas o táxi pode ser uma boa opção.

JOUNIEH
Jounieh fica a cerca de 15 quilômetros ao norte de Beirute. É uma cidade bem menor se comparada à capital, com cerca de 115 mil habitantes. No verão, muitos turistas costumam se hospedar ali por causa da praia e também pelos hotéis a preços mais acessíveis. Mas a cidade tem outros atrativos. Um dos mais visitados é Harissa, um vilarejo situado nas montanhas. A melhor forma de chegar lá é pegar o teleférico em Jounieh que passa por cima da cidade. A vista para o Mar Mediterrâneo é incrível. Mas a atração principal de Harissa é a imagem de Nossa Senhora do Líbano no topo da montanha.

Mar Mediterrâneo visto do alto de Jounieh


Além da praia e do teleférico, Jounieh também tem um forte comércio, principalmente próximo à praia, além de boas opções para comer. Caso passe pela cidade, não deixe de ir no restaurante Manuella, sem dúvida o melhor do país, sem exageros. Trata-se de um restaurante imenso com muita, mas muita opção de pratos. Optamos pelo rodízio de peixes, a 40 dólares por pessoa. Era muita, mas muita comida, e tudo muito gostoso, saboroso e incrível. Assados, fritos, cozidos, frutos do mar, saladas e, claro, os tradicionais: coalhada seca, pão árabe, tabule, entre outros.

Em julho acontece o Jounieh International Festival, com shows, dança e uma queima de fogos que já faz parte do calendário anual do país. Para quem gosta, há também o Casino du Liban, mas é o tipo de programa que não deve agradar a todos. Jounieh também tem o interessante Lebanese Heritage Museum, com artefatos dos períodos grego, romano e bizantino, entre outros, e maravilhosas peças de cerâmica persa do século XVII.

Mas, apesar da diversidade de atrações, a mobilidade em Jounieh é bem mais difícil que em Beirute. Por isso, o ideal é contratar algum motorista ou combinar com um taxista. Os hotéis também podem ajudar.

JEITA GROTTO E KFARHIM GROTTO
A Jeita Grotto é uma gigantesca gruta que fica a cerca de 20 km de Beirute, e é considerada uma das 7 Maravilhas do Mundo Natural. Infelizmente não se pode tirar fotos da gruta, sabe-se lá por quê, mas é um programa indispensável para quem gosta de natureza e também para quem tiver tempo, pois se situar entre as montanhas e só se chega até lá de carro.

A parte de cima da gruta tem enormes “salões” naturais com amplitudes imensas, e a parte de baixo tem um rio de águas muito cristalinas, de cor azul esverdeada, no qual se atravessa de barco.



A Kfarhim Grotto é também outro passeio fundamental. Não é imensa como a Jeita, mas também vale o passeio. Essa gruta foi encontrada em 1974 por um grupo de garotos que jogavam futebol na área! Tem formações rochosas que, segundo estudiosos, ultrapassam 4 milhões de anos. As luzes instaladas no interior da gruta dão um toque, digamos, “psicodélico”.

PALAIS DE BEITEDDINE
Esse palácio foi construído entre os anos de 1788 e 1818, sob a direção do então emir Bashir Shihab II, que na época comandava o país. Depois que o palácio foi construído, o emir exigiu que as mãos dos arquitetos fossem cortadas para que eles não fizessem mais nenhuma construção semelhante, para tornar o palácio único e exclusivo em todo o mundo.



Bashr Shihab II viveu ali até 1840. O palácio foi posteriormente ocupado pelos otomanos e se tornou residência dos governantes. Foi também um prédio administrativo durante a ocupação francesa na Primeira Guerra Mundial. Após a independência em 1943, o Palais de Beiteddine foi a casa de verão do presidente do país. Como todo palácio, há salões e dormitórios suntuosos, cobertos de mármore. Ideal para quem aprecia a monumental arquitetura árabe.

MOUSSA CASTLE
Este pitoresco e interessante castelo é uma atração à parte e um dos principais pontos turísticos do país. Sua história é bem interessante: um então jovem e visionário libanês chamado Moussa Abdel Karim Al-Maamari tinha o sonho de construir seu próprio castelo. Tal sonho cresceu quando ele se apaixonou por uma libanesa rica que o ridicularizou: “quando você tiver o seu próprio palácio, venha falar comigo”. Em 1962, ele começou a construí-lo no meio das montanhas. Segundo ele, foram movidas 6.540 pedras gigantes de cerca de 150 quilos até lá, e ainda fez questão de lapidá-las, uma por uma (!). Antes mesmo do castelo ficar pronto, o local por si só já se tornou um ponto turístico, pois todos queriam ver de perto tal feito. Um dos visitantes na época foi Camille Chamou, que na época era Ministro dos Interiores do país (ele posteriormente também foi presidente). Camille ajudou Moussa Abdel com o valor de 60.000 libras para a continuação da construção. Posteriormente, ele também recebeu ajuda financeira de outros governantes e empresas. O resultado é um grandioso castelo no meio das montanhas.



O melhor ainda está por vir. Moussa Abdel “recheou” o interior do castelo com figuras feitas de argila que representam o cotidiano de um vilarejo libanês de diversas formas. Há imagens religiosas, fazendeiros, famílias, e a mais pitoresca e divertida representação de uma sala de aula: um professor furioso pune um aluno enquanto seus colegas de classe ou estão indignados ou zombam dele.



Vale lembrar que esse homem visionário ainda está vivo e é uma celebridade local.

RESUMINDO…
Visitei o Líbano a convite de casamento de uma amiga brasileira que mora lá e se casou com um libanês. A cerimônia foi linda e a festa um estouro, com muita comida (como sempre), danças e fogos de artifício.

Por isso, não tive tempo de visitar outros locais de grande importância, como Baalbek. Biblos também é uma atração maravilhosa, mas minha passagem por lá foi rápida, portanto não tenho muitas informações a respeito. Foram somente algumas horas, o que incluiu uma visita à lindíssima baía e uma volta pelas ruas, que incluem lojas simpáticas e bons restaurantes. Biblos é também palco de um importante festival musical que ocorre no verão.

No entanto, a visita a Beirute, Jounieh e outros pontos turísticos valeram muito a pena. Vale repetir: o povo libanês é um dos mais receptivos do mundo. Para quem quer se aventurar pelo Oriente Médio pela primeira vez, o Líbano é uma boa porta de entrada, não só pela boa receptividade, mas também por serem mais flexíveis em relação aos países vizinhos. Por isso, vale a visita. Será com certeza um ótimo passeio.

INFORMAÇÕES ÚTEIS

COMO CHEGAR
Não há voos direitos do Brasil para o Líbano. Saindo dos principais aeroportos internacionais brasileiros, há voos operados pela Air France, Alitalia, British Airways, KLM e Lufthansa, todos com escala. Saindo de São Paulo/Guarulhos, há as opções da Emirates (também pelo Rio de Janeiro), Etihad, Ethiopian, Qatar Airways e Turkish Airlines. Os preços variam de acordo com a data da viagem e a companhia aérea. O ideal é checar em sites de buscas.

Para quem está na Europa, outras companhias aéreas voam para Beirute: Air Germania, Bulgaria Air, Czech Airlines e Pegasus, além da Middle East Airlines, a principal companhia aérea libanesa, que opera voos de diversos países europeus para Beirute. Para quem tem o visto dos Estados Unidos, há a opção da American Airlines.

VISTO
Brasileiros não precisam de visto para visitar o país. Quem tem passaporte europeu também não precisa de visto, mas é melhor checar em algum órgão oficial, como site oficial de embaixadas. Porém, para todos é obrigatória a apresentação, logo no check-in, da carteira internacional de febre amarela emitida pela Anvisa (ou do órgão de saúde competente do país de origem). Sem este documento é impossível embarcar. Basta tomar a vacina (pelo menos duas semanas antes da viagem) em qualquer posto de saúde e levar o comprovante no posto oficial da Anvisa localizado em qualquer aeroporto e em algumas rodoviárias, preencher um formulário e pegar a carteirinha.

Muito importante: Anteriormente foi dito aqui que os oficiais da imigração olham todas as folhas do passaporte. Motivo: passageiros que tenham no passaporte o carimbo de entrada em Israel NÃO entram no país. Ou seja, se você já esteve em Israel e pretende ir ao Líbano, vai ter que cancelar seu antigo passaporte e fazer um novo. E isso não se restringe somente ao Líbano. No Oriente Médio, outros países têm a mesma regra, como o Irã.

DINHEIRO
A moeda oficial é a libra libanesa (LBP), mas o dólar americano circula livremente. Portanto, a melhor opção é levar dólares. Não se preocupe em trocar ao chegar lá, pois a maioria dos locais aceita a moeda estadunidense, mas é preciso se acostumar em pagar com o dólar e receber em lira. Os libaneses são em sua maioria muito honestos, mas é importante aprender a fazer o cálculo para não perder dinheiro e não se confundir na hora de pagar ou receber o troco. E o câmbio é fixo: US$ 1,50 vale 1000 LBP.

LOCOMOÇÃO E TRANSPORTE
O transporte do Líbano ainda é precário. O único transporte público é o ônibus e, mesmo assim, ineficiente. A melhor opção para circular pelo país é mesmo o táxi, mas é preciso combinar um preço antes da corrida pois eles não trabalham com taxímetro. Para visitar os locais afastados de Beirute, o ideal é perguntar na recepção do hotel ou fechar um valor com algum serviço de motorista, pois os táxis não costumam ir além da região entre Beirute e Jounieh, no máximo até Biblos, e mesmo assim o preço deve ser definido com muita conversa e paciência. Não é recomendável alugar um carro pois o trânsito é caótico e eles têm as próprias regras para dirigir. Fora da região central, as ruas são pouco sinalizadas.

HOSPEDAGEM
Atenção, mochileiros e adeptos de viagens low-cost: são pouquíssimas as opções de hostels. Beirute tem pelo menos dois conhecidos: o Hostel Beirut e o Mady's. Há também o Hostel Amada em Biblos. O valor dos hotéis varia muito, como em qualquer lugar. O ideal é evitar os mais afastados para não depender de táxi a todo momento. O Airbnb tem várias hospedagem disponíveis.

CLIMA
Para quem sofre com calor, evite os meses de julho e agosto. O verão é tórrido e úmido, mas ideal para quem quiser frequentar as praias. Porém, o ideal é ir na primavera ou início do outono para passear confortavelmente. O inverno costuma ser bastante rigoroso, inclusive com estações de esqui nas montanhas.

COMER. E BEM.
Este tópico já foi amplamente falado aqui, mas vale repetir: a culinária libanesa é espetacular. Os restaurantes têm preços acessíveis e bons cardápios. A maioria serve as entradas com pão árabe (não fale pão sírio lá, eles não gostam) com babaganuche, coalhada seca e legumes frescos. Os pratos principais incluem fatuche, quibe, arroz, quibe, quibe cru, saladas, peixes e assados. Tudo muito saboroso. E ótimo para vegetarianos.

As bebidas alcoólicas são permitidas e facilmente encontradas em bares, restaurantes e supermercados. Os vinhos libaneses são ótimos, em especial o Château Musar, um dos mais antigos e premiados vinhos do país.

Atenção especial para os doces. Maravilhosos. Não deixe de visitar a Sweet Sea. É uma espécie de rede de lojas de doces tradicionais árabes, bolos e sorvetes. Há diversas opções de compras: porções individuais ou caixas de até 1 quilo. E, sim, é possível levar os doces para casa. Eles embalam a caixa a vácuo e os doces chegam inteirinhos! Não estragam! Vale muitíssimo a pena, pois são maravilhosos.

COMUNICAÇÃO
O árabe é o idioma oficial, mas os libaneses são bilíngues, até trilíngues. O inglês é falado por eles principalmente na região central, e o francês é considerado o segundo idioma oficial. O sotaque é bem acentuado, mas compreensível e muito simpático.

É isso! Visitem o Líbano!


Fernando Rovéri é jornalista. A melhor forma de descrevê-lo é acessar o seu perfil do last.fm. É um “music addicted” que também ama viajar. Mora atualmente em Berlim que, segundo ele, é a melhor cidade do mundo. Seu desafio atual é tentar entender a língua alemã. Ama a cultura árabe e, sempre que pode, dá um pulinho até o Oriente Médio e arredores. Já visitou Egito, Líbano e Israel, e pretende ir para o Irã, Emirados Árabes e Catar.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Como se hospedar de graça pelo mundo

"Viajar" + "de graça" são dois termos que se aplicados na mesma frase podem levar qualquer um à loucura. Vamos reunir em posts algumas maneiras de viajar de graça: seja não pagando hospedagem, transportes ou passagem aérea.
No post de hoje, confira como você pode se hospedar de graça pelo mundo.


Crédito: Couchsurfing

Hospedar-se de graça na casa de desconhecidos pode parecer uma coisa estranha a princípio, mas é a melhor forma de você economizar uma grana na sua viagem e, provavelmente, ganhar um(s) amigo(s). Através de redes confiáveis, de amizade e solidariedade, você consegue isso com mais facilidade. Como se diz em inglês "If I was in your shoes..." ("se eu estivesse no seu lugar...") e é exatamente assim que se deve pensar quando participa de uma rede como essas: como eu gostaria de ser tratado em uma terra diferente da minha? Como gostaria de ser recebido?
As duas redes sociais que mais se destacam nesses dois quesitos (sem dinheiro e com muita confiança) são o Couchsurfing e o Nightswapping. 

  • Couchsurfing é uma grande comunidade de viajantes. Basicamente você pode solicitar para que alguém ceda um sofá (ou qualquer canto para dormir) na sua casa. Mas além disso, esta rede oferece uma ampla facilidade de relacionamento próximo, contando com comunidades para cada cidade (com organizadores que fazem reuniões frequentes para conversar e sair com os turistas). Além disso, se não puder hospedar ninguém em sua própria casa, você pode se oferecer para tomar um café com o viajante ou para conhecer algum ponto turístico, por exemplo. O Viaje na Viagem deu todas as dicas para usufruir a rede Couchsurfing sem medo. Confira!
  • Nightswapping tem praticamente o mesmo formato do Couchsurfing, a diferença básica é que para dormir uma noite na casa de um anfitrião, você tem que hospedar um viajante na sua casa antes. Por exemplo, se hospedar alguém por dois dias, você terá dois dias de crédito em qualquer canto do mundo. Outra diferença seria você ter direito não apenas a um sofá, mas a um quarto ou ao próprio apartamento da pessoa. Na primeira vez que você conseguir se hospedar, pagará uma taxa de 10 euros e só. Nunca mais terá que pagar pelo serviço. Caso não queira ou não possa hospedar turistas, o site ainda funciona como um Airbnb: você pode alugar um quarto ou uma casa.
    Confira mais informações aqui.
  • O Worldpackers também oferece hospedagem gratuita, mas neste caso funciona um pouco diferente. É uma rede de viajantes e de hostels, que estão cadastrados para ser anfitriões. Fazendo um perfil de turista no site, você pode selecionar os níveis de habilidades que possui e que estão diretamente relacionadas com o dia a dia de um hostel, como: administração, marketing, atendimento aos hóspedes, limpeza, cozinha etc. Resumidamente, você ajuda voluntariamente o hostel e ganha a sua hospedagem. Essa prática é comum e sempre existiu em hostels, mas agora você pode contar com esta rede e oferecer seus conhecimentos ou habilidades para um hostel em Portugal, por exemplo, e fechar sua hospedagem gratuita antes mesmo de embarcar. Ah, e sim! É super possível trabalhar no hostel e conhecer a cidade.
  • A WWOOF (World Wide Opportunities on Organic Farms - Oportunidades Mundiais em Fazendas Orgânicas) também cede hospedagem em troca do seu trabalho voluntário. Fazendas em todo o mundo participam desta rede. Pagando uma taxa simbólica, um voluntário desta rede pode trabalhar entre 4 e 6 horas por dia, em troca de refeições, acomodação e claro, muitas experiências únicas. Segundo o site, você pode ser solicitado para ajudar numa variedade de tarefas como plantar sementes, fazer compostagem, jardinagem, plantação, cortar madeira, capinagem, colheita, tirar leite, alimentar animais, fazer cercas, construção, fazer vinho, queijo e pão. A quantidade de dias da sua estadia é negociada diretamente entre você e seu anfitrião. A maioria dos voluntários ficam entre uma e duas semanas, apesar que alguns podem ficar entre dois e três dias ou até por seis meses.

Essas são nossas dicas de hospedagens gratuitas. Tem mais alguma para nos dar? Escreva pra gente!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Como comer barato em Londres e arredores

A conversão da libra pro real pode assustar quem está indo passar uns dias em Londres (e Reino Unido em geral), afinal a libra já passou dos R$ 5,00! O custo de vida em Londres é super alto para quem ganha em reais, e isso é verdade sim. Mas saiba que, assim como em São Paulo ou em qualquer outro lugar no mundo, existem lugares caros e lugares baratos para se frequentar. Não se assuste com o valor da libra, porque é sim bem possível comer bem em Londres pagando praticamente o preço que pagaria aqui no Brasil (e sem precisar recorrer ao McDonald's, por exemplo). Listamos aqui algumas dicas de lugares bons e baratos que experimentamos e gostamos na nossa última viagem para o Reino Unido:

PRET A MANGER

Créditos: Wikipedia (user: Zhangyang)



Existem centenas de Pret A Manger em Londres, praticamente um a cada esquina. Eles oferecem comida saudável, fresca, natural e orgânica por um preço bem convidativo! O menu inclui sanduíches, wraps, saladas, sushis, pratos quentes, massas, sopas, bolos, cookies, frutas frescas, iogurtes com frutas, bebidas quentes, snacks etc. Foi o nosso preferido na viagem! 
Preço: $ (comer e beber algo custa em média entre £4 e £7)
Veja o menu aqui.


COSTA COFFEE

Créditos: Wikipedia (user: Tony Monblat)



O Costa é tipo um Starbucks, só que mais aconchegante e mais barato! Eles oferecem sanduíches, wraps, folhados, snacks, doces incríveis (muffins, bolos, tortas, brownies, shortbreads) e é claro, bebidas (cafés, chocolates, chás e sucos). Dica: não deixe de experimentar o shortbread do Costa, é uma delícia! 
Preço: $ (comer e beber algo custa em média entre £4 e £7)
Veja o menu aqui.


WASABI

Créditos: Kxldn.co.uk (foto da fachada)



O Wasabi oferece comida asiática, principalmente japonesa. Pratos quentes, sushi, sopas, saladas e snacks estão no cardápio. O interessante é que você pode comprar os bentôs (marmitinhas) e pratos quentes prontos, ou se preferir pode fazer seu próprio combinados de sushis, sashimis, oniguiris etc. que estão embalados individualmente, e você paga por peça. É bem legal!
Preço: $ (comer e beber algo custa em média entre £5 e £10)
Veja o menu aqui.


EAT

Créditos: Wikipedia (user: KF)




O Eat é muito parecido com o Pret a Manger. Não só na estrutura como no menu, que inclui sanduíches, saladas, pratos quentes, tortas, sopas, bolos, frutas frescas, iogurtes com frutas, bebidas quentes, snacks etc. E a cada dia eles tem um menu especial do dia diferente. 
Preço: $ (comer e beber algo custa em média entre £4 e £7)
Veja o menu aqui.


SUPERMERCADOS: SAINSBURY E TESCO

Créditos: Wikipedia (users: Lewis Clarke e Editor5807)



Pode parecer estranho indicar supermercados para comer, mas tanto o Sainsbury quanto o Tesco tem áreas que vendem comida pronta (não estamos falando de congelados, é a refeição pronta mesmo). Quente ou fria, de tortas a frango com curry, de saladas a lasanhas. A maioria já vem um garfinho, dá pra levar e comer no hostel ou no parque, por exemplo. 
Preço: $ (comer e beber algo custa em média entre £3 e £7)


Já para os que não se contentam com um lanchinho, existem 2 opções ótimas:

PIZZA HUT


Na Pizza Hut do Reino Unido, rola o famoso “coma até morrer” de segunda a sexta no horário do almoço. O buffet custa £6,99 para adultos e £3,99 para crianças e inclui pizzas (claro) e buffet de saladas, e em alguns lugares massas também. Não é uma refeição super saudável, mas vale a pena. Pegue a desculpa que você precisa de carboidrato para caminhar o dia inteiro.
Preço: $ (comer e beber algo custa em média £9)
Veja o menu e mais informações aqui.


PUBS





Os pubs não são muito baratos, mas os pratos são ENORMES! Dá pra dividir para 2 pessoas, então acaba ficando bem pagável. E assim, você aproveita e já experimenta os pratos típicos britânicos que se encontra em quase todos os pubs da cidade: Fish & Chips (peixe com batata frita) e Pies (torta com alguns acompanhamentos). É um ótimo custo beneficio! 
Preço: $ (comer e beber algo custa em média entre £6 e £15)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Voe de graça com a FAB (Força Aérea Brasileira)

"Viajar" + "de graça" são dois termos que se aplicados na mesma frase podem levar qualquer um à loucura. Vamos reunir em posts algumas maneiras de viajar de graça: seja não pagando hospedagem, transportes ou passagem aérea.
No post de hoje, confira como você pode voar de graça nos aviões da Força Aérea Brasileira.


Crédito: Wikipedia/Renato Spilimbergo Carvalho


Qualquer cidadão brasileiro pode usufruir dos aviões do nosso exército. E isso não exige que você seja político, muito menos militar.

Para conseguir essa boquinha, você precisa saber de antemão que, claro, não é tão simples quanto viajar por uma empresa aérea civil. Há uma lista de espera e vezes que um voo para o local desejado não esteja no programa ainda. Exige tempo, já que não se sabe certamente o dia de embarque até a hora de confirmarem o seu espaço no voo, além de uma dose de paciência. Se você tem os dois, ótimo!

O tipo de avião varia entre estilo jatinho (jato C99), turbo-hélice bandeira e até cargueiro. Por isso, não crie expectativa de conforto, nunca se sabe qual aeronave você pode pegar.

A viagem pode ser feita em todo território nacional, por meio de inscrição no Correio Aéreo Nacional (CAN) da localidade onde deseja embarcar. Verifique antes por telefone os dados e documentos exigidos na inscrição. Por telefone você também pode conferir com o atendente se o destino desejado é uma rota realizável para a FAB.
Os telefones do Correio Aéreo Nacional de cada região são:

Região Sul:
Florianópolis/SC - (48) 3229-5021
Canoas/RS - (51) 3462-5166
Santa Maria/RS - (55) 3220-3309

Região Sudeste:
São Paulo/SP
- (11) 2465-2038 / 2465-2039
Pirassununga/SP - (19) 3565-7025 / 3565-7205
Rio de Janeiro/RJ – (21) 2138-4020 / 2138-4205 / 2138-4212

Região Centro-Oeste:
Brasília/DF
- (61) 3365-1002
Campo Grande/MS - (67) 3368-3126

Região Norte:
Belém/PA
- (91) 3182-9327
Boa Vista/RR - (95) 4009-1036
Manaus/AM
- (92) 2129-1729
Porto Velho/RO - (69) 3211-9722 / 3211-9725

Região Nordeste:
Fortaleza/CE
- (85) 3216-3195
Natal/RN - (84) 3644-7135 / 3644-7136
Recife/PE - (81) 3322-4182 / 3461-7653
Salvador/BA - (71) 3377-8225

Não há limite de quantidade de voos, ou seja, você pode usufruir desse direito sempre. Para mais informações, acesse o site da FAB.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Dicas: como fazer um roteiro de viagem



Pode parecer simples, mas decidir o roteiro é a parte mais trabalhosa de uma viagem. Escolher para onde você vai, por quantos dias, onde se hospedar, e no final fazer com que tudo isso faça sentido não é fácil. Mas é super possível fazer isso sozinho sem precisar contratar os serviços de alguma agência. O objetivo de um roteiro não é engessar a sua viagem, mas sim orientar e otimizar o seu tempo. As dicas que contamos aqui são baseadas nas nossas experiências pessoais em viagens ao longo dos anos.
Saiba que não existe nenhuma regra na hora de organizar uma viagem, vale adequar estas dicas (e outras que achar conveniente) ao seu perfil e criar o seu jeito próprio de fazer roteiro. São muitas opções, muitas decisões, muita informação e pequenos detalhes, mas com este passo-a-passo vai ficar bem mais fácil de entender o processo! Então, vamos lá:

SAIBA QUANTOS DIAS VOCÊ TEM E QUANTO PODE GASTAR ($)
Com essas duas variantes definidas, você já consegue filtrar grande parte das opções, o que facilita sua vida. Se tiver poucos dias ou pouco dinheiro, vale dar um foco maior no Brasil ou América Latina. Se tiver mais do que 1 semana, já dá para pensar em outros continentes. Não que isso seja uma regra, mas baseado nisso você já direciona melhor suas escolhas. Nessa etapa também vale já pesquisar qual o custo de vida das cidades que você pretende conhecer, para saber se cabem no seu orçamento. Pesquise sobre isso no site Quanto custa viajar. O site não é 100% preciso (o preço das passagens não é muito real) mas já dá para ter uma boa noção.

DECIDA O SEU ITINERÁRIO
Antes de qualquer coisa, seja prático e racional na hora de decidir os destinos. Encaixe o itinerário dentro das sua possibilidades, não tente conhecer todos os países do mundo de uma vez só, senão no final das contas você acaba não conhecendo nenhum deles de verdade. Para começar…

Escolha a cidade principal da sua viagem
Onde é que você faz questão de ir e quer passar mais tempo? Londres? Sydney? Berlim? Sabendo qual será a sua base principal, fica mais fácil escolher os outros lugares que você pode incluir no roteiro. 

Escolha as cidades secundárias 
Que outras cidades você quer conhecer? Escolheu Londres como principal? Então tente fazer um roteiro que fique nos arredores (Reino Unido, França, Irlanda etc.). É claro que nada impede de você querer conhecer Londres e Atenas em uma mesma viagem. Mas se seu intuito é gastar menos e perder menos tempo com deslocamentos, seja sensato: para otimizar o tempo, escolha lugares próximos uns dos outros. Quando se está viajando, ficar 8 horas sem fazer nada dentro de um trem, por exemplo, é um prejuízo enorme!

Certifique-se de que existem meios de se deslocar entre essas cidades
Enquanto estiver escolhendo as possíveis cidades, certifique-se de que existem meios de se deslocar entre elas (de carro, avião, ônibus ou trem). Nessas horas o GoEuro (site de busca de passagens de trem, avião e ônibus) é super útil, principalmente para a Europa. Nele você simula rotas, descobre preços, vê quanto tempo leva cada trecho e confere se a rota que escolheu é viável. A dica é, por mais repetitiva que seja: evite fazer um roteiro onde os deslocamentos de uma cidade para outra sejam muito longos.

DECIDA QUANTOS DIAS FICAR EM CADA CIDADE
Use seus conhecimentos matemáticos. Por exemplo: se tem 20 dias, e quer ficar 8 em Londres, então sobram 12 para dividir entre outras cidades próximas (ou próximas das cidades próximas). Então agora veja o que tem nas proximidades e encaixe dentro desses dias restantes. Pode ser Paris, Liverpool, Edimburgo… 

E como saber quantos dias ficar em cada uma?
Isso depende de muitos fatores: o tamanho da cidade, o que tem para se fazer, quantos bate e volta estão programados etc. Cada um tem um perfil diferente, então pesquise em guias, sites, blogs e peça a opinião dos seus amigos, e aí veja quantos dias são suficientes pra você. Não tem certo e errado nesse caso, mas o ideal é ficar no mínimo 5 dias em cidades grandes (Roma, Paris, Londres, Sydney etc). Já as cidades menores, varia muito. Algumas delas, 2 ou 3 dias é o bastante, outras podem até ser visitadas de bate e volta de alguma outra cidade maior (por exemplo: Bruges, saindo de Bruxelas/Bélgica). Falando nisso, essa é uma dica do Ricardo Freire que seguimos religiosamente: montar bases! Permanecer em uma cidade central e fazer bate e volta para cidades menores nos arredores (desde que você leve no máximo 1h30 pra chegar, mais do que isso não compensa). Assim você não precisa ficar levando sua mala pra lá e pra cá e se poupa do trabalho repetitivo de check-in, check-out, transporte etc. Não se esqueça de contar os bate e volta como um dia adicional na cidade-base. 

FINALIZE O ROTEIRO
Agora junte todas essas informações e faça uma versão final do roteiro. Uma coisa que ajuda muito, é fazer um mapinha no My Maps do Google para visualizar as ideias que você tem na cabeça. Na verdade, dá para fazer isso já no começo e alterar conforme for mudando de ideia. Até chegar nesse ponto, você provavelmente teve que abrir mão de algum destino ou adicionou um que nem pensava em conhecer. O roteiro final nem sempre é igual a sua ideia inicial, é normal isso acontecer. O importante é chegar em um itinerário final que faça sentido, não é? 

Mas para quem ainda ficou um pouco confuso…

FALANDO SOBRE ROTEIROS NA PRÁTICA
Em 2012 fizemos um mochilão com foco em Berlim e Munique (na época da Oktoberfest), eram passagens obrigatórias! Então passamos 7 dias em Berlim e 4 em Munique, e o resto do roteiro foi decidido pela proximidade e pelo deslocamento fácil. Fizemos nesta ordem: Amsterdam > Berlim > Praga > Munique > Viena > Budapeste. Todos os deslocamentos foram feitos de trem em menos de 4 horas de viagem cada (exceto Amsterdam - Berlim que foram 6 horas). E também fizemos um bate e volta de Munique para as cidades de Füssen e Dachau.


Já em 2014, fizemos Reino Unido e Paris com foco em Londres. Passamos 8 dias em Londres, e o resto dos 14 dias restantes, dividimos entre as 4 outras cidades. Então fizemos um roteiro nessa ordem: Dublin > Edimburgo > Liverpool > Londres > Paris. Fizemos bate e volta de Edimburgo para o Lago Ness, de Londres para Stonehenge e Bath, e de Paris para Versailles. Para saber mais detalhes sobre como foi essa nossa viagem de 2014, confiram este post: Mochilão: Reino Unido e arredores



E você? Tem mais alguma dica pra compartilhar conosco? Fala com a gente pelos comentários!

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Relato de viagem: Antártica

O post de hoje é uma colaboração do nosso amigo James Vaccari, que fez uma viagem incrível para a Antártica com a Marinha do Brasil. Esperamos que gostem deste relato!

Qualquer pessoa com boa vontade e algo em torno de 8 mil dólares pode fazer um passeio até a Antártica partindo de Punta Arenas, no Chile. Qualquer pessoa também pode voluntariar-se para trabalhar na tripulação de algum navio que vá para lá. Algumas pessoas podem comprar um veleiro, aprender a navegar e ir por conta própria, como Amyr Klink. Ou pagar por um vôo para as estações que têm aeroportos. Mas o que vou contar aqui é um caminho alternativo, que depende de um monte de fatores até que isso seja possível: ir como alpinista voluntário a serviço da Marinha do Brasil. E aí você deve se perguntar: o que um alpinista, trabalhando para a marinha, faz? Escala mastro? Quase isso.

Estação Antártica Comandante Ferraz






Em resumo: O Brasil é um dos 29 países membros consultivos do Tratado Antártico. Como membro, deve zelar pela preservação da Antártica e prover pesquisas científicas relevantes. Para que essas pesquisas ocorram, foi criada há mais de 30 anos, a Estação Antártica Comandante Ferraz, que apesar de mantida pela Marinha do Brasil, não tem fins militares. A marinha é apenas o braço logístico do Brasil, com apoio da Aeronáutica. As pesquisas são realizadas por diversos grupos de universidades brasileiras, através do Ministério de Ciência e Tecnologia. São projetos relacionados a biologia, oceanografia, meteorologia, geologia, arqueologia, glaciologia, entre outros, que direta ou indiretamente tem impacto no Brasil. Outras parcerias são firmadas para que o Programa Antártico Brasileiro funcione, como a Vale fornecendo projetos de energia sustentável, a Petrobrás fornecendo combustível para a FAB e para os navios, e o Clube Alpino Paulista, prestando consultoria técnica e indicando alpinistas para o auxílio e segurança desses grupos de pesquisa e militares em terreno de neve e gelo.

Aí que eu entrei.

Por esse caminho, “basta” ter experiência de alguns anos de escalada, conhecimentos de resgate, primeiros-socorros, fazer um treinamento específico com a Marinha, passar em avaliações do Clube, da Marinha, exames médicos etc. Com todos estes fatores favoráveis, um esquema logístico é traçado, para que o alpinista auxilie um projeto de pesquisa específico, ou vários projetos na região da Estação, que fica nas ilhas Shetland do Sul, mais precisamente na Baía do Almirantado, na Ilha Rei George.




O roteiro de viagem é o seguinte: Fui de São Paulo para o Rio de Janeiro. Lá peguei um avião C-130 da FAB modificado para transporte de carga e fui até Pelotas - RS. Em Pelotas, recebi as roupas especiais e equipamentos. Eles ficam armazenados na ESANTAR Rio Grande, um espaço que a Marinha tem em convênio com a Faculdade de Rio Grande para armazenar os materiais usados no programa Antártico, tais como roupas térmicas, impermeáveis, barracas, botas etc. Todo ano, tudo é limpo e revisado. Um trabalhão.

De lá, o avião segue para Punta Arenas, no Chile, onde aguarda condições meteorológicas ideais para o pouso final no aeroporto da Estação Chilena Eduardo Frei, já na Antártica. Punta Arenas é uma cidade tranquila, plana, venta o tempo todo, tem uma zona franca que tem preços razoáveis, e se tiver um tempo, vale a pena fazer uma caminhada até Reserva Nacional Magallanes.

Depois que São Pedro liberou o voo, segui para a estação Chilena e de lá, um dos navios de apoio da Marinha nos envia um bote a motor para nos levar a bordo.



Fiquei um tempo ali na margem ajudando os mergulhadores responsáveis pelo bote (como se precisassem de ajuda), e em menos de meia hora vi os primeiros pinguins, e um pouco do que a Antártica era capaz. A maré subiu, o tempo virou e quase não deu tempo de embarcar todo mundo. Foram 3 ou 4 bate-voltas até o navio e por pouco teve gente que teve que dormir na base Chilena. Devidamente embarcados navegamos por 3 ou 4 horas até a estação brasileira. Parte dos militares e pesquisadores, vão de navio desde Punta Arenas, fazendo a emocionante travessia do Drake até a Estação, uma chacoalhante travessia de 3 dias.

O meu trabalho como alpinista lá era basicamente auxiliar os grupos de pesquisa que saíam da estação para fazer alguma coleta na região, cuidando da segurança de todos. E quando o tempo não permitia, era a vez de auxiliar nos trabalhos de manutenção da estação: limpeza, cozinha, e todo tipo de tarefa que envolve o dia a dia de uma casa com 60 pessoas.



Troquei um apetrecho no alto de uma antena de rádio. Foram horas balançando ao vento tentando soltar parafusos congelados. Pintei o mastro da bandeira (tarefa tradicional destinada a todo alpinista que vai lá). Acompanhei a operação de um ROV (veículo submarino operado remotamente) que vasculhava o fundo do mar. Caminhei à procura de ninhos de aves pelas montanhas. Apoiei o pessoal que pesquisava pinguins. Ajudei a carregar MUITAS caixas de cargas, chamadas marfinites. Ajudei a procurar algas pela costa. Visitei a base Polonesa de Arctovski, que nos abrigou quando o tempo virou. Fiz faxina de montão.



Fiquei 71 dias na Estação, e com certeza foi uma das experiências mais interessantes da minha vida. Vi milhares de pinguins, senti o cheiro deles (essa parte não é tão boa), vi focas, leões marinhos, peixes que só existem lá, aves diversas, vi pôr do sol às 23h e o nascer às 2h da manhã, paisagens incríveis, de tirar o fôlego, de congelar o fôlego...





Conheci pessoas dos mais diversos tipos, vi cientista PHD lavar banheiro, vi Comandante da Marinha lavar prato, vi o sorriso de senhores, marceneiros e pintores, que nunca tinham visto neve na vida, escalando montanhas comigo, vi jovens empenhados em estudar e tentando fazer algo por um Brasil melhor. Todos iguais, sob as mesmas condições difíceis, isolados de suas famílias, de seus amigos, mas vivendo como uma família, com respeito, igualdade e união.

Infelizmente voltei de lá um mês antes do incêndio que destruiu a Estação e vitimou dois militares, dois amigos. Mas voltei com a certeza de que, se depender dos brasileiros que trabalham nesse Programa, a Antártica estará em boas mãos por mais uns anos, para que nossos descendentes possam conhecer.




FAQ

1. Faz muito frio?
R: Sim. Pode fazer muito frio... Mas no verão antártico, entre outubro e abril, que é quando as pesquisas acontecem, as temperaturas ficam em torno de -4 e 10C. Já no inverno, quando só os militares que fazem a manutenção da Estação ficam lá, pode chegar a -20C. Aí sim é frio! E se estiver ventando, a sensação térmica pode ser de -40C, -60C.

2. Me traz um pinguim?
R: Não! Primeiro que ele automaticamente deixa de ser fofinho quando você sente o cheiro de peixe dele. Segundo que existem uma série de normas e licenças para se poder pegar um pinguim, ou qualquer animal lá. Existem áreas que você nem pode ir sem licença. O Ministério do Meio Ambiente fiscaliza, os militares fiscalizam, os cientistas fiscalizam, qualquer outra pessoa de qualquer outro país do Tratado fiscaliza e pode denunciar um crime ambiental. E se isso ocorre, o país é que tem que responder perante a comunidade internacional. Você não imagina o tamanho da treta. Tudo é feito pra preservar o meio ambiente.

3. Eu não sou alpinista, nem militar, nem pesquisador, como faço pra ir?
R: Existem companhias de turismo que promovem cruzeiros pra lá, saindo de Punta Arenas, Ushuaia. Mas é importante você saber que NADA garante que você vá pisar em solo Antártico. O clima muda muito depressa e é possível que o comandante do navio dê meia volta, não importa quanto dinheiro você tenha. Ali, a segurança tem que vir em primeiro lugar, bem como a segurança de tudo que tem lá. Se você for, não toque nos animais, não dê comida, não pise onde não puder pisar, não faça barulho, não fume, não tire selfie com a foca-leopardo (ela pode morder seu celular, sua mão, seu braço...)

4. Tem urso polar? Tem pirâmides escondidas? Tem vestígio de E.T.?
R: Urso polar não. Outras coisas, eu não vi...


James Vaccari é diretor de arte e designer enquanto não viaja. Quando está viajando se mete a fotografar o que vê e a desenhar uma coisa ou outra. Prefere viajar pra onde as pessoas normais se preocupariam com banho e banheiro, e gosta de andar muito. Também é instrutor de montanhismo e escalada.


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