terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Roteiro: o que fazer em Haia (Holanda)



Você pode não saber muita coisa sobre a cidade de Haia (Den Haag, em holandês) mas com certeza já ouviu falar dela, provavelmente no noticiário ou no jornal, comentando sobre política ou coisa do tipo. Apesar da capital da Holanda (e a queridinha do turismo) ser Amsterdam, a sede do governo holandês fica em Haia. É onde estão todas as embaixadas e ministérios, é o centro político do país e também onde vive a família real. É simplesmente a cidade onde as políticas, diplomacias e negócios acontecem. Mas nem por isso Haia é uma cidade séria, sisuda e formal, como podem imaginar. Muito pelo contrário, ela mantém aquele charminho de cidade tradicional holandesa, e tem muita coisa legal pra se ver e fazer por lá. Tem até praia, acredita?

Como chegar
O jeito mais fácil de se chegar lá é indo de trem. Os trens partem mais ou menos de 10 em 10 minutos tanto da estação central de Amsterdam, quanto da estação central de Rotterdam. O trajeto leva 50 minutos saindo de Amsterdam e apenas 25 minutos saindo de Rotterdam. É possível fazer um bate-volta a partir de qualquer uma das duas cidades, caso você não queira pernoitar em Haia.

O que fazer
Em 1 dia dá pra conhecer todos os principais pontos turísticos da cidade. Mas se você quer aproveitar para também conhecer o balneário de Haia (praia!) e fazer tudo com calma, talvez seja legal ficar um dia a mais. A maioria das atrações turísticas ficam próximas da estação de trem, então dá pra fazer quase tudo andando.

Mauritiushuis
O destaque desse museu é a famosa pintura “Moça com Brinco de Pérola” do Vermeer e o mais famoso ainda “Lição de Anatomia do Dr. Tulp” do Rembrandt. Sem falar que a Mauritiushuis (casa de Maurício) é literalmente a casa de um Maurício, o Maurício de Nassau, conhecido por nós das aulas de história.
Mais informações: www.mauritshuis.nl
Curiosidade sobre a foto: quando fui pra Haia, os policiais estavam fazendo um protesto bem na frente do museu, pediam aumento de salário. Estava a maior bagunça nos arredores, havia muitos repórteres, políticos sendo vaiados, e turistas sem entender nada (eu), haha.

Binnenhof + Ridderzaal
Binnenhof é o complexo de edifícios que é o centro político de Haia, todos os assuntos de Estado são discutidos aqui. É possível fazer um tour guiado no Ridderzaal (Salão dos Cavaleiros) e na Câmara do Parlamento. Mais informações sobre o tour aqui.

Paleis Noordeinde

O palácio de Noordeinde é onde a Rainha Máxima trabalha. Não é aberto ao público, então por aqui é só uma passada rápida para tirar foto. A rua onde fica o palácio é mais interessante que o palácio em si, você encontra várias lojinhas, livrarias, cafés e galerias de arte. Vale passar por lá!

Escher in Het Paleis

Esse museu é dedicado a M.C. Escher, um artista holandês famoso pelas suas obras que brincam com a ilusão de ótica, metamorfoses e construções impossíveis aos nossos olhos (superficialmente falando). Ele possui um acervo super completo e muitas instalações interativas. Sou suspeita pra falar, afinal sempre fui super fã do Escher, mas considero-o como um dos museus mais interessantes que eu já fui. Vale a visita!
Mais informações: www.escherinhetpaleis.nl

Vredespaleis
Foto: Wikipedia


O Vredespalais (Palácio da Paz) abriga a Corte Internacional de Justiça e a Corte Permanente de Arbitragem, por isso é conhecido como "A Sede do Direito Internacional". A construção do palácio foi uma cooperação coletiva de vários países do mundo todo. Lá encontramos vaso da Rússia, porta da Bélgica, carpete do Japão e assim vai! É aberto para visitação de terça a domingo.
Mais informações: www.vredespaleis.nl

Maduro Dam
Foto: Russavia


É uma parque de miniaturas de lugares turísticos da Holanda. Miniaturas de casas, canais, campos de tulipas, moinhos e muito mais. É um ótimo lugar pra se visitar se você está com crianças, Mas eu, particularmente, achei a entrada um pouco cara (custa € 14,50).
Mais informações: www.madurodam.nl

Scheveningen 

Sim, também tem praia na Holanda! E o balneário de Scheveningen é o mais popular de todos. Além da praia (claro), lá você encontra cinema, cassino, museus, lojas, escolas de surfe, vários restaurantes e vários bares. Se estiver por lá no verão, melhor ainda!


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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Roteiro: o que fazer em Amsterdam (Holanda)

2016 começa hoje para o Oyster's World. Então, feliz 2016!
Para começar com pé direito, vamos falar sobre Amsterdam, lugar que já estivemos duas vezes e é sempre marcante.



COMO CHEGAR?
Duas das três vezes que pisei na Europa, entrei por Amsterdam.Viajei com a KLM, que nós duas consideramos uma das melhores companhias aéreas que já voamos. São aproximadamente 11 horas de voo (direto) até o Aeroporto Amsterdam Schipol.
Para sair do aeroporto, recomendamos pegar ônibus ou trem, dependendo do bairro que irá se hospedar. O bom é que o trem sai de dentro próprio aeroporto. Existe boa sinalização para a entrada da estação e também para comprar a passagem.
Geralmente os turistas descem em Amsterdam Centraal (estação central), porque lá se concentra boa parte da hotelaria de Amsterdam. Confira onde será sua hospedagem, geralmente os hotéis/hostels deixam dicas de trajeto no próprio site.
Se você já estiver pela Europa e quiser chegar de trem, passará por algumas estações da região de Amsterdam. E de ônibus, existe saída da Amsterdam Centraal e da estação Amsterdam Sloterdijk.

HOSPEDAGEM
Quer ficar nos melhores/mais bem localizados albergues de Amsterdam? Reserve o quanto antes, eles são muito disputados! Não sei se acontece o mesmo com hotéis, mas acredito que sim. Planeje-se ou fique longe do burburinho (se bem que em Amsterdam tudo é relativamente perto).
3 lugares que já me hospedei por lá:
1. StayOkay Vondelpark Hostel (mais perto do centro e colado no melhor parque da cidade)
2. StayOkay Zeeburg Hostel (da mesma rede. Afastado, mas de fácil acesso)
3. Meininger Hotel Amsterdam City West (bem perto da estação Amsterdam Sloterdijk, logo longe do centro, mas de fácil acesso).

ROTEIRO
Cruzeiro pelos Canais [Amsterdam Centraal]
O legal desse passeio é ver Amsterdam do ponto de vista dos canais. Além de apreciar a arquitetura única da Holanda, observamos as casas-barco e as pessoas dentro dela (não contenha seu lado stalker), vemos pontes e passagens importantes da cidade. É recomendado ir no fim da tarde, ao pôr do sol, por ser considerado o melhor horário, com as luzes começando a iluminar a cidade. Os barcos saem na região de Amsterdam Centraal e não há necessidade de comprar o ticket com antecedência.
Confira mais informações em: www.amsterdamcanalcruises.nl

Museu do Sexo (Sexmuseum Amsterdam Venustempel) [Amsterdam Centraal/ Dam Square]
Amsterdam para leigos é sinônimo de sexo (Red Light District) e maconha. Não é só isso, mas também esta fama é real. O Museu do Sexo então é um passeio essencial e interessante até mesmo para entender a história da cidade. Também existe um acervo rico de pinturas, esculturas e fotos. É interessante conferir as centenas de fotos pornográficas do século XVIII e XIX e se surpreender como o ser humano é safadinho desde os “primórdios”.

Confira mais informações em: www.sexmuseumamsterdam.nl

Tour de Bike [Amsterdam Centraal]
Amsterdam é a cidade das bicicletas. É maravilhoso ver a organização do trânsito das bikes e como as regras funcionam perfeitamente. Nós brasileiros estamos acostumados a usar a bicicleta apenas para lazer e andar de magrela em Amsterdam pode não parecer tão fácil. Por isso, peguei o tour de bike que sai de Amsterdam Centraal às sextas-feiras, sábados e domingos. São duas horas de passeio e cruzamos toda a cidade, parando para as explicações dos pontos turísticos e locais "lado B" pelo guia. Vale o que se paga (quase 20 euros).
Duas paradas no tour: Magere Brug (à esquerda) e escultura O Grito, em Oosterpark (à direita)


Confira mais informações em: amsterdamcitytours.rezgo.com

Museu Casa de Anne Frank (Anne Frank Huis) [Canal Prinsengracht]
A casa (sótão) que Anne Frank e sua família moraram em Amsterdam está em parte conservada e aberta à visitação. Prepare-se para se emocionar muito. Mas chegue cedo, as filas se formam muito rápido!
Não podemos tirar fotos lá dentro :(

Confira mais informações em: www.annefrank.org

Vondelpark
O maior e mais famoso parque de Amsterdam. Impossível conhecê-lo todo de uma só vez. Lá acontece um festival de cinema gratuito no verão.
Foto de: Felipek (Wikipedia)

Confira mais informações em: www.holland.com

Van Gogh Museum [Museuplein]
Van Gogh é um dos filhos pródigos da Holanda e tem um museu dedicado a suas obras. Fica em frente ao Museu Rijksmuseum e às letras de I AMsterdam.
Confira mais informações em: www.vangoghmuseum.nl

I AMsterdam letters [Museuplein]
As já tradicionais letras de I AMsterdam (jogo de palavras que significa “Eu amo Amsterdam), ficam em frente ao Museu Rijksmuseum. Vale chegar cedo para tirar fotos sem "intrusos". No inverno, o lago artificial em frente às letras é transformado em uma pista de gelo.
PS: Existe outros dois letreiros em Amsterdam: um itinerante pela cidade e outro no aeroporto de Schipol.



Confira mais informações em: www.iamsterdam.com

Cervejaria Heineken (Heineken Brouwerij)
Queridinha (dos estrangeiros) das cervejas holandesas, a Heineken possui em sua própria sede a chamada Heineken Experience, um dos passeios mais procurados pelos turistas. É como um museu interativo, onde se passa pela pela fundação da cervejaria, publicidade da marca, observar e experimentar todo o processo de fabricação, aprender a tirar um chopp Heineken perfeitamente e terminar num bar super descolado. Você tem direito a dois chopps, mas fique na área da “escolinha” de tirar chopp que você pode beber todos os chopps tirados “errados”. Chopp é chopp né, gente?

Confira mais informações em: www.heineken.com

Dam Square
O berço de Amsterdam. Hoje é uma praça super movimentada com seus bares, lojas de marcas famosas, museus, Madame Tussauds, o Palácio Real e muito mais.
Curiosidade: o Dam é um nome derivado de sua própria função original: uma barragem (dam) do Rio Amstel, o que também dá o nome da cidade (Amstelredamme).

Vlaams Friteshuis
Europeus amam batata-frita e com os holandeses não seria diferente. Se você topa uma fritura como almoço ou um grande lanche, vale a pena dar uma passadinha lá e pegar seu cone.
Confira mais informações em: www.tripadvisor.com.br

Bloemenmarkt (Feira das Flores)
Feira das flores, com grande destaque para as tulipas. Você pode até comprar sementes para plantar depois, mas não tenho certeza se a imigração pode barrar isso na volta.
Confira mais informações em: www.amsterdam.info

Red Light District
Particularmente para mim não existe nada fetichista em visitar o distrito da Luz Vermelha. A cena é (à noite): prostitutas em suas casinhas se exibindo (outras apenas sentadas) na vitrine. Do lado turistas, muito turistas, até turistas japoneses enfileirados com suas câmeras no pescoço. Vale lembrar que câmeras não devem ser usadas, seguranças estão lá com olhos de lince em cima de quem tenta tirar foto por lá. Não tente dar uma de esperto.
Confira mais informações em: www.amsterdam.info

The Nine Streets 
A área mais famosa de compras de Amsterdam. Como o próprio nome diz, são 9 ruas de shopping ao céu aberto.
Confira mais informações em: www.theninestreets.com

Bulldog Café
Sabemos que a Holanda é “legalize” mas não é permitido fumar em qualquer lugar. Os cafés são os únicos lugares públicos que é permitido o uso de maconha e derivados. Querendo ou não, os cafés são pontos turísticos e o Bulldog é o mais procurado pelos turistas. Atenção: não coma um space cake (cupcake de chocolate + marijuana) inteiro sozinho, o barato é forte!


Confira mais informações em: www.thebulldog.com

Openbare Bibliotheek
Além de ser uma Biblioteca Pública super completa e moderna, ela tem uma das melhores vistas da cidade. Suba até o último andar e confira essa vista da foto abaixo! Vale a visita!


Confira mais informações em: www.oba.nl

Winkel 43
O Winkel 43 tem a fama de ser a melhor torta de maçã (appeltaart) de Amsterdam! Essa foi uma dica que vimos no blog Ducs Amsterdam, e não podíamos deixar de conferir, claro! O lugar é pequeno e disputado, então dependendo do horário você vai precisar esperar uns minutinhos pra conseguir sentar. Mas tenha paciência, vale a pena a espera!
Confira mais informações em: www.tripadvisor.com.br

Canal Brouwersgracht
O que não faltam em Amsterdam são canais. Para quem não sabe os Países Baixos (Holanda) não têm esse nome por acaso. Eles ficam abaixo do nível do mar. Então água é o que não falta e realmente precisa ser drenada a cada chuva, para não alagar as cidades (aí que entra uma das funcionalidades dos moinhos). Mas se quiser ir a um específico indicado nos guias turísticos, vá ao Brouwersgracht. É ideal para quem gosta de tirar fotos maravilhosas.

Confira mais informações em: www.tripadvisor.com.br

Keukenhof (Jardim das Tulipas)
Não é exatamente em Amsterdam, mas é uma atração imperdível. Em 2016, o jardim abre 24 de março e fica aberto até o dia 16 de maio.
Autor: Bùi Thụy Đào Nguyên (Wikipedia)



Confira mais informações em: www.keukenhof.nl

Bate-voltas a partir de Amsterdam
Caso você tenha alguns dias sobrando, vale super a pena visitar outras cidades próximas, indo e voltando no mesmo dia para Amsterdam. Nós fizemos 3 bate-voltas durante nossa viagem: Harlem, Muiden e Zaanse Schans. Todos os 3 são viagens curtíssimas de trem ou ônibus. Fizemos posts contando como foi, confira nos links relacionados abaixo.

Esperamos que estas informações sejam úteis para sua primeira viagem à Amsterdam. Sentiu falta de algo? Escreva pra gente. :)


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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Haarlem: bate-volta a partir de Amsterdam

A Holanda é um país super pequeno, às vezes o tempo que se leva para chegar em alguma cidade vizinha é menor do que o tempo que a gente leva de casa até o trabalho aqui em São Paulo (ou qualquer outra metrópole no Brasil). Por esse motivo, é muito comum as pessoas usarem Amsterdam de base e fazer vários bate-voltas a partir de lá.

Uma das cidades mais populares para se fazer esses bate-voltas saindo de Amsterdam, é a charmosa Haarlem. Uma cidadezinha de apenas 30 km² e 155.000 habitantes, que fica a 15 minutos de Amsterdam.






COMO CHEGAR
O jeito mais fácil de se chegar lá é indo de trem. Os trens partem de 10 em 10 minutos da estação central de Amsterdam (Amsterdam Centraal). O trajeto leva apenas 15 minutos e custa €4,10 (ou €8,20 ida e volta). Para mais informações, consultem o site da companhia NS.

O QUE FAZER
A impressão que eu tenho de Haarlem é que ela é uma mini Amsterdam, só que mais calma e sem os milhões de turistas por todos os lados. E isso pra mim é PERFEITO! Dá pra ver tudo em metade de um dia. Eu cheguei umas 9h30 e fui embora umas 14h de lá, para ter uma ideia. Todas as atrações turísticas ficam próximas da estação de trem e do centro, então dá para fazer tudo caminhando.
O primeiro lugar que eu fui ver logo que eu cheguei foi o super famoso moinho de Haarlem, o Molen De Adriaan. Ele fica bem na beira do rio Spaarne, o que torna a vista ainda mais bonita! É possível fazer um tour guiado de 45 minutos dentro dele. Confira antes no site os dias e horários em que o moinho está aberto a visitação.



De lá, segui para o Amsterdamse Poort. É uma parte do que sobrou do antigo portão da cidade que foi construído por volta do ano de 1400. Não dá pra entrar nele, mas vale dar uma passadinha lá só pra ver, ele fica perto do moinho.



Agora partindo para o centro da Haarlem, é obrigatório passar na Grote Markt, a praça central da cidade. Nessa área você encontra grande parte das atrações turísticas todas juntas. A principal é a Grote Kerk, uma catedral construída entre os séculos XIV e XV. Do lado da catedral você encontra o Vlesshal, um antigo meat market, contruído em 1603, que hoje abriga 2 museus. Do outro lado da praça, está a Stadhuis (prefeitura), cuja construção é datada do ano de 1602. Sem contar que em volta da Grote Markt, você encontra várias ruazinhas comerciais, com muitas lojas, bares, cafés e restaurantes legais. Dá pra bater perna em volta de toda essa área.


E pra fechar o dia, não dá pra ir pra Haarlem e não passar na Jopenkerk, a cervejaria mais famosa da cidade. A cervejaria da Jopen (cerveja local) fica em um local que antigamente era uma igreja. Ela é chamada de Jopenkerk por motivos óbvios. Pra quem não sabe, "kerk" significa igreja em holandês. A Jopenkerk é um café, um bar e um restaurante, tudo junto e misturado ao mesmo tempo. Não só a cerveja é ótima, a comida também! Dá pra ter uma visão 360º do local aqui.


Tirando os lugares turísticos básicos, também vale dar uma volta no canal Niewe Gracht ou no rio Spaarne. Ou até se perder nas ruas estreitas da cidade mais afastadas do centro. Cada vielinha de Haarlem tem um charme especial.

Haarlem é uma cidade pequena, mas é um pecado deixar ela de fora do seu roteiro se estiver passando por Amsterdam. Super vale a pena sair daquela loucura (no bom sentido) por algumas horinhas e conhecer essa cidade aconchegante, simpática e pacata. Vem!


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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Zaanse Schans: bate-volta a partir de Amsterdam

Quando você pensa em Holanda, qual a primeira coisa que vem à sua mente? Maconha? Canais de Amsterdam? Porcelana de Delft? Queijo Gouda? Os atrativos são infinitos e o país tem muitas cidades diferentes para visitar. A começar pelos tradicionais tamancos de madeira e os moinhos de vento, vamos para Zaanse Schans.

Março/2015


Zaanse Schans (Jaanxeshrrans em brasileiro) reúne toda aquela imagem clássica da Holanda. Segundo Daniel Duclos, do incrível Ducs Amsterdam, rolam até umas vaquinhas para completar o ambiente, coisa que eu não vi. Talvez por ter ido no inverno gelado com vento sofrido.

COMO CHEGAR? 
Zaanse Schans é uma pequena vila da cidade de Zaandam, que fica a 45 minutos de ônibus de Amsterdam. O ônibus é a pedida mais rápida de transporte e te deixa literalmente na entrada da vila. Ele sai de trás da Estação Central de Amsterdam (Amsterdam Centraal). Para chegar na parte de trás da Estação, passe pela catraca do lado direito (que é aberta) e atravesse por dentro da Centraal. Achei que estava fazendo brasilidade (passando a catraca sem pagar a passagem de trem), mas realmente é o único jeito de chegar ao terminal de ônibus. Chegando lá, procure pelo ônibus 391 da empresa Connexion (ônibus vermelho). Não esqueça que você deve pegar o mesmo ônibus no ponto final de Zaanse Schans, para voltar pra Amsterdam. Ah, o day ticket (ida e volta) custa 10 euros.

Logo na entrada da vila, você dá de cara com um museu moderninho. Não parei nele e segui para o que realmente me interessava: moinhos! Alguns deles giram, outros não e muito poucos estão abertos para visitação. Mas não é nada concorrido para subir e paguei baratinho (algo em torno de 3 euros).

Esses moinhos funcionam quase como museu. O que eu entrei, por exemplo, tinha uma grande roda moendo pedra para virar pó de pigmento de tinta. Na entrada você pode pedir um chocolate quente com conhaque, que claro, foi o que eu fiz naquele inverno.

Foto: Elton Dias (setembro/2015)


Para subir no moinho, as escadinhas são estreitas e quase verticais. Nesse caso, pra cima (subir de frente) todo santo ajuda. Pra baixo (descer de costas) a coisa toda muda! Mas tranquilo para quem não tem problema de mobilidade. São muitos moinhos para admirar e você pode percorrer o caminho deles a pé ou de bike (não sei se tem serviço de aluguel, eu não vi).

A cada loja que existe na região, tem um museuzinho minúsculo nos fundos. Se você vai a uma padaria que existe lá, pode continuar andando que você encontra peças e ambientação do que seria aquele lugar no século passado ou retrasado. A fábrica de queijo é a mesma coisa. Muito fofo. :)



Foto: Elton Dias (setembro/2015)


Uma das lojas/museus mais incríveis é o de tamancos de madeira, a Kooijman Wooden Shoe. O museu possui uma vasta coleção desse tipo de calçado, desde os mais históricos até os mais excêntricos (e até mesmo um confeccionado no sul do Brasil). A loja tem infinitos modelos e tamanhos que fazem você se questionar pelo menos umas 10 vezes: EU QUEROOOO, mas será que eu vou usar isso alguma vez na minha vida? Eu não trouxe porque na minha mochila não cabia mais nada (e acho que meus vizinhos do andar de baixo agradecem por isso).

Por fim, essa loja tem uma demonstração de aproximadamente 20 em 20 minutos de como é confeccionado um legítimo tamanco holandês. É mágico ver o tamanqueiro (?) trabalhando e em alguns minutos surgir um sapato de madeira novo! Todo mundo aplaude. :)

Os tamancos gigantes do lado de fora é parada obrigatória!



RESUMÃO:
  • Passeio para se fazer de dia/tarde, para admirar a paisagem e tirar milhões de fotos.
  • Metade de um dia é suficiente para ver tudo (tudo mesmo).
  • No final do inverno faz frio e venta absurdamente. Vá preparado!
  • Pegue o ônibus 391 da Connexion na ida e na volta. Ele não demora para passar (e existe a tábua de horários no ponto para dar uma conferida).
  • Não se preocupe com mapas: a vila é compacta e você não vai se perder e nem perder nenhuma atração, a não ser que você queira. 

Bom passeio e divirta-se!


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    terça-feira, 6 de outubro de 2015

    Como chegar a Machu Picchu

    Pra começar, chegar até Machu Picchu não é tão simples. Você pega avião, ônibus, trem, mais um ônibus... Isso requer um mínimo de planejamento antes de sair do seu país. É chatinho? É sim. Mas garanto que apesar de ser uma boa jornada chegar até lá, vale muito a pena fazer essa viagem!

    A melhor maneira de se chegar a Machu Picchu é começar indo para Cusco (o voo faz conexão em Lima). De Cusco você precisa seguir para Águas Calientes (uma cidadezinha aos pés de Machu Picchu) pela trilha ou de trem, e de lá subir de ônibus (ou a pé) para finalmente chegar a Machu Picchu. Ufa! Muitos detalhes e muitas etapas, não?



    Mas vou explicar melhor cada trajeto passo a passo:

    De Cusco para Águas Calientes
    Existem 2 maneiras mais comuns de se chegar em Águas Calientes: ou indo pela Trilha Inca (andando) ou indo de trem.

    A Trilha Inca só é possível ser feita com alguma agência, você não pode ir por conta própria. Existem opções de 3, 4 ou 5 dias de caminhada, e também a opção de mesclar caminhadas e bicicleta (Trilha Inca Jungle). Vale falar que a trilha não é para qualquer um, é uma caminhada puxada, carregando peso e acampando sem muito conforto. Mas a vista e a aventura com certeza fazem valer a pena os prováveis perrengues do percurso.

    Já indo de trem, existem 2 opções: ou você vai direto de Cusco (da estação Poroy) ou partindo de Ollantaytambo (a uns 60 km de Cusco). A melhor opção (e a mais popular) é ir de Ollantaytambo e aproveitar para conhecer as ruínas do Vale Sagrado que ficam no caminho entre Cusco e Ollantaytambo. Foi o que fizemos. Como? Fácil, foi assim...

    Visitando o Vale Sagrado
    Saímos de Cusco de manhã (lá pelas 8h30) com um tour guiado em grupo que passaria em 3 lugares do Vale Sagrado: Pisac, Urubamba e Ollantaytambo.

    Pisac, Pisac, Urubamba e Ollantaytambo
    • Pisac é um dos sítios arqueológicos mais importantes da região, onde você encontra construções incas: terraços agrícolas, um sistema de irrigação, um observatório e a Intiwatana (pedra usada com um calendário solar).
    • Urubamba é uma província localizada ao longo do rio Vilcanota. Aqui demos apenas uma breve passada.
    • Ollantaytambo é um exemplo típico do incrível planejamento urbano dos Incas. Nesse sítio arqueológico você também encontra terraços agrícolas e um setor urbano. Quando os incas estavam no poder, era um centro administrativo.
        Depois de visitar esses 3 lugares, o grupo do tour guiado vai embora e a gente fica para pegar o trem para Águas Calientes da estação Ollantaytambo, que é ao lado do sítio arqueológico. Muita gente faz isso, então o guia já pergunta logo no começo quem é que vai largar o grupo em Ollantaytambo, pra saber quantos vão ficar por lá. É uma prática bem comum. Lá pelas 5 da tarde a gente já tinha visitado a ruína e ficamos passeando pela cidadezinha esperando a hora de pegar o trem.

        Trem para Águas Calientes
        O trem de Ollantaytambo sai à noite depois do tour, o trajeto é de pouco mais que 2 horas. Fomos com o trem mais barato, o que chamam carinhosamente de trem mochileiro. Existe a opção de ir com o Hiram Bingham também, um trem de luxo super chique (e bem mais caro, claro) que é famoso pelas janelas panorâmicas. Mas acho inútil pra quem pega o trecho a noite, que não se enxerga nada. Chegamos em Águas Calientes pouco antes das 23h, ficamos em um hostel bem localizado chamado Supertramp, que fica no centrinho, perto da estação de trem e da saída de ônibus para Machu Picchu.

        De Águas Calientes para Machu Picchu
        No dia seguinte, acordamos cedíssimo (lá pelas 5 da manhã) e saímos ainda na penumbra para pegar o ônibus para Machu Picchu. Pegamos uma pequena fila para comprar a passagem do ônibus e mais outra fila para embarcar. Então se puder, não faça como eu e compre com antecedência para evitar uma das filas. A passagem de ida e volta custa 24 dólares para estrangeiros. Você também pode subir (e descer) a pé. Mas não espere nenhum terreno asfaltado nem uma trilha bonitinha, é na estrada de terra no meio do mato mesmo. Eu escolhi ir e voltar de ônibus, meus amigos mais aventureiros subiram de ônibus e voltaram a pé. E sim, adoraram!

        Finalmente Machu Picchu!


        Machu Picchu abre às 6h da manhã, mas o recomendado é chegar lá pelas 5h30 no máximo. Quanto mais tarde você chega, mais cheio fica o lugar. Entrar antes de todo mundo te dá a chance de ver o lugar vazio, sem empurrões e sem um monte de gente disputando um espaço para tirar uma foto. E se você vai subir a Huayna Picchu ou a Montaña, tem que chegar cedo! Nós subimos a Huayna no primeiro grupo (7h da manhã). Por isso é recomendado pernoitar lá no dia anterior e chegar no primeiro horário. Mais para o meio do dia, começam a chegar vários trens de Cusco e o lugar começa a ficar lotado! Machu Picchu fica aberta até às 17h, mas até lá você já conseguiu ver tudo e mais um pouco. Fomos embora lá pelas 15h. O nosso trem de volta para Cusco saiu lá pelas 17h nesse mesmo dia.

        Voltando para Cusco
        Pegue o trem de volta para Ollantaytambo (ou Poroy). Chegando na estação, você encontrará vans e táxis que te levam para o centro de Cusco, ou você pode deixar já agendado com alguma agência para te buscarem. E mesmo indo de táxi, não é tão caro. Nós já deixamos agendado, e quando chegamos na estação de Ollantaytambo uma pessoa veio nos procurar com aquelas plaquinhas com nomes. Fomos de van em alta velocidade e altas aventuras, mas chegamos vivos! Estávamos em Cusco novamente lá pelas 20h30.

        Como planejar tudo isso?
        É indicado comprar tudo com antecedência. De preferência já sair daqui com tudo reservado. As passagens mais baratas de trem se esgotam muito rápido, depois vão aumentando os preços e os melhores horários esgotam. E dependendo da época, você pode ficar sem ingresso para entrar em Machu Picchu (limitado a 2500 pessoas por dia). Além disso, não é possível comprar ingressos na bilheteria, somente pela internet ou incluso nos pacotes de agências. Se pretende subir a Huayna Picchu, você deve contar com a sorte para conseguir tickets de entrada se deixar para comprar durante a viagem, mesmo através de agências. O limite de visitantes diário é só de 400 pessoas divididas em 2 horários. Digo isso porque nenhuma das pessoas que conhecemos no hostel em Cusco conseguiu a entrada para Huayna. Éramos os únicos com ingresso por lá (compramos com 3 meses de antecedência). Mas se você tem um perfil mais relaxado de viajar, gosta de ir escolhendo o que fazer na hora e tem tempo sobrando, também é bem possível fechar tudo lá sim (contando com flexibilidade de datas). Em cada canto de Cusco existe uma mini agência de viagens, você pode aproveitar essa facilidade.

        Comprando por conta própria
        A logística toda é bem complicadinha, mas é bem possível fazer tudo por conta. O que você precisa fazer é:
        • Comprar um tour para o Vale Sagrado (opcional).
        • Comprar a passagem de trem (no nosso caso: Ollantaytambo - Águas Calientes - Ollantaytambo) no site da Peru Rail ou fechar a Trilha Inca com alguma agência.
        • Reservar Hostel/Hotel para 1 dia em Águas Calientes (se for pernoitar lá)
        • Comprar o ingresso para Machu Picchu no site oficial do governo.
        Você pode sim resolver tudo lá, comprar em agências locais na hora, mas só faça isso se você tem tempo de sobra na viagem e não faz questão de subir a Huayna Picchu. Como eu fui com dias contados (8 dias pelo país) e a Huayna Picchu era obrigatória no roteiro, tive que fazer uma viagem mais planejada.

        Comprando um pacote em agência
        Se você não tem saco para toda essa logística, ou simplesmente está inseguro de fazer algo errado no processo (como eu estava), vale comprar daqui um pacote com uma agência local do Perú. Comprar por agências brasileiras é simplesmente um absurdo de caro, não recomendo. O que eu fiz foi fechar com a agência Rasgos del Perú. Eu gosto de fazer as coisas por conta própria e sou bem desconfiada com agências que eu não conheço, mas eu fechei com eles porque foi indicação do hostel e de uma amiga que já havia comprado um pacote com eles e disse que foi tudo ótimo. Então confiei e não me arrependi. O pacote que fechei com eles incluia: o transporte do nosso hostel até Ollantaytambo com o tour guiado no Vale Sagrado (entradas inclusas), o trem de Ollantaytambo para Águas Calientes (ida e volta), 1 noite no Supertramp em Águas Calientes, tour de 1h com guia em Machu Picchu e transporte de volta de Ollantaytambo para Cusco. Tudo por 297 dólares (isso em 2014). O bizarro é que se eu tivesse feito tudo isso por conta, sairia quase a mesma coisa. Pensei: ué, qual é a mágica? Depois lá no Peru já, quando vi o ticket do trem, percebi que as agências pagam bem mais barato do que eu pagaria. O preço marcado era umas 8 vezes menor do que eu pagaria comprando pelo site da Peru Rail. Ou seja, o custo deles é menor do que o que você teria fazendo por conta, por isso sai quase a mesma coisa. Sobre o pagamento, eu fiz 50% via Western Union e paguei os outros 50% lá em Cusco no escritório deles. Aí no dia seguinte eles levaram todos os ingressos e vouchers pra gente no hostel.

        Quando é a melhor época para ir?
        A melhor época é de maio a setembro, no periodo de seca. Se tiver escolha, evite ir entre outubro e abril, são períodos de chuva que podem estragar sua visita tão programada (Machu Picchu pode ser fechada por questões de segurança). Vale tentar ir em junho, no dia 24 acontece a tradicional festa de Inti Raymi (festa do sol) em Cusco.


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        segunda-feira, 21 de setembro de 2015

        Relato de viagem: Torres del Paine (Chile)

        O post de hoje é uma colaboração do nosso amigo James Vaccari, que fez uma viagem incrível para Torres del Paine, no Chile. Esperamos que gostem deste relato!

        Sabe aquela viagem que dá tudo errado, mas que no fim dá certo? Para mim, são as melhores. É quando a gente volta com as melhores histórias para contar. É fácil achar relatos aventurescos, heroicos, descritivos, turísticos ou técnicos sobre as famosas trilhas do Parque Nacional de Torres del Paine, na Patagônia Chilena. Li vários, anotei tudo, fiz uma pesquisa razoável. Mas por mais que você faça isso (e acredito que deve fazer), algumas coisas sempre serão inusitadas.

        Entrada do Parque: primeiro trecho de caminhada






        Saí de São Paulo em meados de abril, outono, as folhas já caindo das árvores… Cheguei a noite e já comecei caindo no conto do táxi barato. Paguei o triplo do preço de uma corrida normal até a cidade. Só descobri isso na volta, 10 dias depois. Não tem shuttle (serviço de traslado) à noite. Nem ônibus. Fui direto ao hostel que tinha reservado. O Hostel 53 Sur. Atendimento prestativo, simpático, tudo bem simples e tranquilo.

        No dia seguinte, pela manhã, fui caminhando pela cidade, sob uma leve garoa, até os terminais de ônibus. São 3 na cidade, cada companhia de ônibus com o seu. E peguei um ônibus às 10 horas até Puerto Natales, cidade litorânea do Chile a 3 horas de viagem de Punta Arenas, mais próxima do parque. Minha ideia era adquirir alguns suprimentos em Puerto Natales e já pegar um ônibus para o parque na rodoviária. Ideia risível do ponto de vista da atendente do guichê de passagens, que com toda a simpatia e/ou sarcasmo, me explicou que fora de temporada só há um único horário de ônibus, as 7:30h. Arrastei minha cara de decepção até o balcão de informações e indaguei sobre a localização de hostels nas proximidades. Encontrei o Hostel La Estancia Patagônica bem perto da rodoviária, para facilitar a volta no dia seguinte. Tendo a tarde toda livre para desfrutar do que quer que o universo me apresentasse naquele lugar, fui providenciar algumas coisas.

        Puerto Natales




        Comprei gás para o fogareiro, comida, troquei dinheiro na casa de câmbio, fiz umas fotos na orla, tomei um café na cafeteria/padaria/restaurante/bistrô Angélica's, travei uma excelente discussão sobre política internacional com a proprietária, e jantei o segundo melhor bife de chourizo da viagem, com direito a um bem servido ceviche de entrada. Voltei para o hostel totalmente preparado e bem nutrido para os 9 dias de caminhada intensa que o chamado circuito “O” iria apresentar-me. Iria…

        De volta ao hostel o dono me alertou que talvez o circuito “O” estivesse fechado naquela época do ano. Tentei contactar o parque, mas não consegui. Já era noite. No dia seguinte, peguei o ônibus e cheguei as 10h na entrada do parque, recebendo a notícia de que realmente o circuito “O” estaria fechado. Eu não poderia fazer a volta toda no parque. Teria que optar pelo circuito “W”, menor, entrando por uma portaria e saindo por outra. Eu já tinha perdido 1 dia em Puerto Natales mesmo, os planos já estavam comprometidos, então decidi fazer o circuito “W” mesmo, em 6 dias, em vez dos 4 ou 5 habituais. (veja aqui o mapa oficial do Parque Torres del Paine).



        Comecei a caminhar às 10h30, saindo da Portaria de Laguna Amarga, entrada do parque. Poderia ter pago uma van para ir até o Hotel Torres, economizando 1h30 de caminhada (7,5 km) numa estrada de terra, mas estava sem pressa e finalmente estava no parque! Depois da primeira ou segunda curva na estradinha, já se vê as torres, e para todo lado que se olha, há o que fotografar. Lhamas pastando, pássaros, coelhos, árvores, riachos, uma paisagem que fez este pequeno trajeto até o início da trilha valer cada minuto de atraso. E foi um belo atraso.

        Hotel Torres



        Cheguei por volta das 13h na Hotel Torres. Um hotel pomposamente surreal no meio de um lugar tão inóspito, mas que possibilita aos bípedes com mais necessidade de conforto um gostinho do que é a Patagônia. Tem até uma lojinha para quem esqueceu alguma coisa, vendendo desde gás, saco de dormir, até protetor solar, ou bolachas.

        Ali começa a trilha.




        Foram 3 horas de subida até o Refúgio Chileno. Quase 1000 metros de desnível, nos quais o rapaz que vos narra carregou nas costas 3 dias a mais de comida que já não seriam necessários, e que só percebeu quando parou lá em cima para um breve lanche. O lanche acabou virando um banquete, um desespero vexatório de consumir toda aquela comida o mais rápido possível para aliviar o peso extra, pois não se pode jogar comida fora, e todo lixo deve ser levado consigo. O povo que me espiava do lado de dentro do restaurante aquecido do Refúgio Chileno, tomando seus chocolates quentes, deve ter ficado com a visão estarrecedora de um pobre esfomeado atacando ferozmente uma profusão de maçãs, lanches e frutas secas como se fosse a primeira refeição de um urso após os meses de hibernação. É possível subir até o Refúgio Chileno a cavalo também, desde o Hotel Torres.

        Após me recompor desse momento de estupidez e com a mochila uns 2 kg mais leve, continuei a caminhada até o acampamento Las Torres por mais 2 horas de subida, na companhia de uma garoa fria e inconveniente.

        Cheguei, montei o acampamento, tirei um leve cochilo para esperar a “cozinha” dar uma esvaziada e fui fazer o jantar. No parque, as áreas de cozinhar são limitadas e em geral consistem em um telhado e alguma proteção contra o vento. Cozinhar em qualquer outra área é crime ambiental, valendo multa, trabalho comunitário, prisão...

        Não havia muitas pessoas no parque nessa época, mas as “cozinhas” são espaços pequenos, escuros, com paus e pedras no lugar de mesas e cadeiras, e pode ficar bem tumultuado. A galera geralmente acorda bem cedo, e sobe ainda no escuro até o Mirador las Torres, para pegar o nascer do Sol. Preferi acordar mais tarde, estava bem cansado e a noite esfriou muito e tudo amanheceu congelado. Tomei um café reforçado e comecei a subir quando o povo começou a descer.

        As Torres



        Passei o resto da manhã sozinho lá em cima. As Torres e eu, num silêncio absoluto. Perdi o nascer do Sol, mas ganhei uma paz que não tem preço. Era o que eu buscava nessa viagem. Deixei-me atrasar por lá, fazendo umas fotos, fatiando um salame e pisando na neve que em alguns pontos já se acumulava. Voltei para o acampamento, tomei outro café, um lanche, desmontei tudo e parti para a próxima parada.

        A trilha é basicamente um retorno pirambeira abaixo até o Refúgio Chileno, e um desvio próximo ao Hotel Torres, em direção ao Refúgio Los Cuernos, a 16 km. Grande parte da trilha tem uma bela vista do lago Nordenskjold, avistam-se muitas aves e eventualmente um coelho ou outro, pois os calafates e murtillas estão dando frutos nessa época.

        Cheguei em Los Cuernos às 19h. Paguei 7.500 pesos chilenos no camping (lá tem banheiros limpos e chuveiros que praticamente soltam água quente, ou uma leve lembrança de calor. E também tem um restaurante), montei a barraca, fiz o jantar, e fui dormir. Pela segunda noite, dormi mal. Dessa vez não foi a geada, mas um rato possuído pelo inebriante cheiro de salame que estava dentro da panela, que estava fechada, dentro de uma sacola, que estava dentro de um saco plástico, que estava dentro da mochila, dentro da barraca. O danadinho me infernizou por horas! Fiz barulho, saí da barraca, joguei o lixo fora, e ele continuava arranhando e correndo em volta da barraca. Fiquei na espreita, dei um susto nele com a lanterna, lhe disse uns impropérios, tentei dormir… Ele furou a barraca, riu da minha cara e deixou claro que não ia desistir. Aceitei o desafio e bolei um contra ataque: tapei o furo com silver tape, fiz uma armadilha com fitas no piso da entrada, e fiquei na espreita com a lanterna. Ele passou por cima das fitas, passou ileso pela armadilha, e foi roer o furo novamente. Desisti. Guardei tudo na mochila e sai da barraca. Fui tentar guardar a mochila dentro do refúgio, ou dormir lá dentro, mas já estava tudo fechado. Acabei desmontando a barraca na madrugada e montando 100 metros mais acima, tentei dormir. Novamente barulho de rato rodeando a barraca. Pensei em largar tudo e ir dormir no banheiro, mas acabei botando o fone de ouvido e cobrindo a cabeça. Precisei encarar o banho vagamente quente para acordar e tomar café. Só às 10h30 consegui desmontar tudo e começar a andar.

        O terceiro dia foi mais curto. Meio-dia eu já chegava ao Acampamento Italiano e depois da batalha épica com o rato, decidi passar a tarde deitado à beira do rio ouvindo o barulho da água. Era possível ouvir algumas avalanches à noite, vindo das Torres ou dos Cuernos, tal era o silêncio. Consegui dormir um pouco melhor, pendurei a comida numa árvore, mas acordei bem cedo para não perder o nascer do sol dessa vez. Saí primeiro que todo mundo, atravessei o Vale Francês e cheguei no mirador Britânico às 10h. O nascer do sol combinado com as cores da vegetação no outono, me propiciaram a paisagem mais incrível de toda a viagem.

        O nascer do sol no mirador Britânico




        O mirador dá uma bela vista do Vale Francês, entre o Cerro Castilho, o Cerro Paine Grande e Los Cuernos del Paine. De volta ao Acampamento Italiano, fiz um café/almoço, desmontei tudo, e caminhei 3 horas até o Acampamento Paine Grande. Esse trecho foi um pouco triste de ver porque a vegetação seca ainda apresenta muitos sinais do último incêndio que aconteceu no parque em 2011.



        Às 17h avistei o Hotel Paine Grande, a lojinha de guloseimas, o lago, e um casal tomando vinho na janela embaçada pelo aquecimento interno. Paguei o camping ao lado e fui preparar o jantar. A cozinha desse camping é mais aprazível. Tem mesas, cadeiras e até uma pia. Um coelho chafurdava pelo gramado e fiquei pensando se ele não teria más intenções como o rato. O coelho não apareceu, mas mandou uma chuva torrencial que durou a noite toda e provocou algumas goteiras impertinentes na barraca. Uma delas insistia em gotejar na minha cara tornando impossível meus esforços em sonhar com campos verdejantes e ensolarados. Mudei de lado, tentei fazer um telhado com um saco de lixo, e passei outra noite mal dormida.

        A cozinha estava cheia pela manhã, mas consegui um canto pra fazer um chá, um café, comer um pão com Amendocrem e esperar a chuva parar. Às 10h30 tinha conseguido secar as coisas na medida do possível e partir para o Acampamento Grey. Peguei uma neblina incrível sobre a Laguna Los Patos e perdi umas boas duas horas tirando fotos ali. Acabei chegando só às 16h no acampamento Grey.

        Neblina na Laguna Los Patos




        Ali também tem um hotel que os turistas podem chegar de barco, pelo lago Grey, tem uma lojinha onde me permiti comprar uma Coca-Cola, e a área de camping que fica num bosque um pouco à frente. Montei a barraca e fui até o mirante ver o Glaciar Grey.

        É uma vista incrível, e mesmo com o céu nublado e o tempo virando, é difícil desviar os olhos e sair de lá. Encontrei uns estudantes americanos que estavam cabulando as aulas de intercâmbio e consegui que um rapaz (de bermuda e chinelo!) tirasse uma foto minha.

        A cozinha do acampamento Grey é bem abrigada e também tem mesas e cadeiras. Estava bem movimentada à noite. Acabei esquecendo a lanterna na barraca e retornei tropeçando pelo bosque até encontrar a barraca. Voltei do Grey para o Paine Grande ao meio-dia da manhã seguinte. O tempo estava ótimo. Pensei em ficar mais um dia ali, antes de me dirigir para a portaria e sair do parque. Não tinha mais dinheiro para ir embora de barco até a portaria, então montei acampamento e decidi que levantaria cedo no dia seguinte a tempo de caminhar e pegar o ônibus.

        O pôr do sol foi incrível, mas posso dizer que essa noite foi a pior de todas (ou a melhor, dependendo do ponto de vista).




        Até o jantar, e um merecido banho quase quente, me retirei para meus aposentos. E já tive um duelo hercúleo com o zíper externo da barraca. O zíper ganhou. Deixei aberto. Um vento frio entrava, mas não parecia que iria piorar. Piorou. Por volta das 23h começou a chover e a ventar mais forte.

        Barraca instalada no acampamento Grey



        Saí para ver se a barraca estava bem presa, e voltei molhado. Me enfiei no saco de dormir, a porta da barraca chacoalhava igual língua de cachorro pra fora da janela do carro. O vento dobrava o teto da barraca até quase alcançar meu rosto. Por um tempo fiquei sentado escorando a lateral. Começou a gotejar. A barraca estava dando claros sinais de que iria desistir daquele sofrimento todo e ir fazer outra coisa da sua vidinha de barraca. Em algum momento caí de sono e acordei com uma neve caindo no rosto. Já amanhecia, resolvi me refugiar na cozinha. Peguei a mochila e percebi um furo na lateral. Para completar a noite, o rato, ou o coelho, tinha encontrado algo ali.

        Não estava com humor nem clima para andar até a portaria da sede do parque. Acabei comprando um chocolate no hotel, paguei com cartão e muito gentilmente eles me deram algum troco em dinheiro para que eu voltasse de barco. Também foram muito gentis deixando que o pessoal que habitava 3 barracas que explodiram à noite devido ao vento forte, dormissem no corredor do hotel.

        Puerto Natales


        De volta a Puerto Natales, voltei ao Angélica's, e pedi o maior bife que eles tivessem. Me parabenizei pelo sucesso da missão e apesar de todos os perrengues, e talvez justamente por causa deles, eu estava muito, mas MUITO feliz!

        Feliz!




        A Patagônia em geral é incrível. Uma das regiões mais bonitas do planeta. Os parques do Chile são bem conservados, bem valorizados, e o povo realmente se preocupa com o meio ambiente. Poucos lugares no mundo fui tão bem recebido quanto na província de Magallanes. Valeu cada perrengue.


        James Vaccari é diretor de arte e designer enquanto não viaja. Quando está viajando se mete a fotografar o que vê e a desenhar uma coisa ou outra. Prefere viajar pra onde as pessoas normais se preocupariam com banho e banheiro, e gosta de andar muito. Também é instrutor de montanhismo e escalada.


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        sexta-feira, 28 de agosto de 2015

        Roteiro: o que fazer em Brisbane (Austrália)

        A Austrália foi a primeira grande viagem que nós fizemos juntas fora da América do Sul.
        É um país com dimensões continentais e meio ambiente diversificado, indo de praias paradisíacas ao extenso deserto, cidades grandes e também lugares de neve (no inverno). Então para ver tudo em um curto espaço de tempo (e de $tempo$) é um pouco complicado. Nosso roteiro envolveu um pedaço da costa leste do país, passando por 3 cidades principais: Sydney, Gold Coast e Brisbane.

        Brisbane é a capital do estado de Queensland, no nordeste do país. É uma cidade não litorânea e pequena, mas com ares de cidade grande (a 3ª maior cidade da Austrália). Lá tem de tudo e também tudo acontece. Se um grande show internacional vai a Sydney, por exemplo, com certeza também passará ou passou por Brisbane. Muitas casas de shows, lojas de departamento e de grifes, baladas, bares... nada a dever a nenhuma cidade grande de fato.

        Créditos: Lachlan Fearnley (Wikipedia)



        COMO CHEGAR?
        Como fomos de Gold Coast para lá, o jeito mais fácil era pegar o trem Brisbane Airtrain. Em torno de 1 hora você chega a Brisbane. Mas a cidade também conta com um grande aeroporto internacional, o que facilita bastante se este for seu primeiro destino ou se você estiver vindo de Sydney, por exemplo.


        ROTEIRO

        Story Bridge
        A icônica ponte Story atravessa o Rio Brisbane e é uma boa pedida para ser visitada durante a noite, por ser bonita e bastante iluminada. Mas para os aventureiros de plantão, é possível escalar e fazer rapel nela (30 metros de altura), até mesmo antes do nascer do sol. Em cima da ponte você terá uma vista incrível, com as Glasshouse Mountains e a Gold Coast Hinterland no horizonte.

        Canoagem no Rio Brisbane
        O Rio Brisbane tem intensa vida social e esportiva e você pode participar disso, às margens dele ou nele mesmo através das canoas disponíveis para aluguel.
        DICA! Às noites de sexta-feiras e sábados, os caiaques são iluminados e fazem parte da beleza e luzes do rio.

        CityCat
        A cultura de transporte sobre os rios é muito forte na Austrália. Aproveite o CityCat e faça um tour pela cidade, navegando pelo Rio Brisbane.

        Kangaroo Point Cliffs
        Paredão de 20 metros para escalada, às margens do Rio Brisbane.

        South Bank e South Bank Parkland
        Austrália é marcante por suas praias maravilhosas, mas infelizmente Brisbane não foi abençoada com uma. Mas não é problema algum, visto que às margens do Rio Brisbane foi construída uma praia artificial. É uma ótima ir lá para se refrescar no verão, pois o calor é intenso! Os arredores são ricos em atrações: desde uma roda gigante (Wheel of Brisbane) até lojas, museus (QAG e GoMA) e restaurantes.
        Créditos: Brisbane City Council



        Jardim Botânico Mount Coot-tha
        Um Jardim Botânico que fica no topo do monte Coot-Tha e possui um mirante com vista espetacular para a cidade.

        Santuário Lone Pine Koala
        O maior santuário de coalas do mundo. É possível abraçar e tirar fotos com um deles, além de observar todos os animais típicos de Austrália: cangurus, raposa-voadora (o maior morcego do mundo), cobras, crocodilos etc.

        Chinatown

        Toda cidade grande que se preze tem sua Chinatown. Brisbane é pequena, mas como dissemos tem ares de metrópole. O lugar fica em Fortitude Valley e possui grande variedade de lojas e restaurantes com temática oriental.
        DICA! Experimente o super recomendado Yum Cha, café da manhã chinês com muita fartura.

        Saint John's Cathedral


        Diocese anglicana de Brisbane, um ponto turístico devido à sua história e rica arquitetura.

        Walking Tours
        Walking Tour de cervejas artesanais, Walking Tour de chocolates locais, Walking Tour de sobremesas, de comida asiática, de chá... são tantos Walking Tours envolvendo comidas e bebidas que você pode escolher o mais legal para se fazer.


        COMPRAS
        Queen Street Mall
        The Queen Street Mall é assim chamado mas não é um shopping, e sim um calçadão com inúmeras lojas e muitos estilos. Destaque para os shoppings Myer Centre Mall; Wintergarden; QueensPlaza e Brisbane Arcade.
        Créditos: Brisbane City Council



        The Collective Market
        Mercado a céu aberto de artesanatos, roupas, acessórios entre outros. Jovens designers vendem seus produtos descolados a preços interessantes.

        James Street Precinct
        Mais uma rua de compras e agitação, em Fortitude Valley.

        The Outpost
        Lojinha super bacana para os descolados.

        VooDoo Lulu
        A vida não nos fez góticas, mas esta loja bem poderia nos converter. É a loja mais sombria que já fomos, com roupas e acessórios maravilhosos e que você definitivamente não encontrará no Brasil.

        Tem mais alguma dica legal sobre Brisbane? Escreva pra gente!
        Informações sobre visto, trajetos de voos disponíveis, moeda, horário entre outras dicas sobre a Austrália, falaremos em um post mais adiante.

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